Escritora reúne poemas escritos durante cinco anos e projeta lançamento do primeiro livro: ‘felicidade sem tamanho’


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Escrever e publicar o primeiro livro autoral é algo ímpar na vida de quem se dedica ao trabalho literário. E tem sido assim para uma paraibana. Bianca Dantas, 29 anos, é natural de Patos, no Sertão da Paraíba, mas mora em João Pessoa, e no processo de adaptação à capital paraibana a sertaneja encontrou na produção de poemas um refúgio e conforto. 

Bianca conta que, quando se mudou para João Pessoa, passou a escrever poemas na intenção de relatar seus sentimentos e fazer com que aquela escrita a deixasse confortável, uma vez que ela é adepta à leitura. Quando notou, havia escrito uma série de poemas que tinham potencial para ser reunidos em um único espaço: um livro.

“Eu havia me mudado há pouco tempo para João Pessoa e escrever sempre foi a melhor forma que eu encontrei de registrar meus sentimentos e minhas impressões do mundo. De poema em poema, depois de anos, olhei para aquilo tudo e percebi: havia escrito um livro!”, relata Bianca.

Bianca é adepta da escrita e leitura, e teve o hábito de escrever em blogs para registrar as suas produções, além de escrever, à mão, em cadernos as inspirações que surgiam em sua mente. Além disso, Bianca é filha de um escritor. Seu pai é poeta cordelista, e a jovem cresceu tendo contato com variadas formas linguística e rodeada de livros.

Quando escreveu o primeiro poema que fará parte do livro, “As tardes que me doem”, ainda em 2017, Dantas teve a sensação de que poderia chegar a escrever um livro a partir das suas inspirações, mas que, naquele momento, preferiu guardar para si os primeiros projetos literários.

“Eu já escrevia em blogs e nos meus cadernos desde a adolescência, mas quando escrevi o primeiro poema do livro, ainda em 2017, tive a sensação de que, um dia, poderia publicar. Mas, como boa parte das pessoas que escrevem, deixei meus escritos guardados só para mim ou amigos próximos por muito tempo”, explica.

Ler é uma forma de estar em contato com o mundo e, por isso, consigo mesmo. É conseguir olhar para dentro quando se está olhando para as páginas na sua frente”, diz Bianca.

Processo de escrita e maturação do ‘ser escritora’

No processo de escrita dos poemas, Bianca redigia conteúdos voltados para histórias com conteúdos que falavam sobre paixões e relacionamentos, em suas mais variadas esferas, mas percebeu que sua escrita poderia ser mais ampla e que tinha o poder de tocar em outros assuntos também. Foi esse o pontapé inicial para a construção do livro.

“Inicialmente, os poemas falavam mais de paixões ou relações afetivas (isso é muito comum entre escritoras mulheres, porque somos educadas a pensar que até a nossa arte deve ser focada no amar). Mas, com o meu amadurecimento enquanto mulher e escritora, percebi que minha escrita podia ser muito mais abrangente, assim como o meu olhar. Se eu era tocada por tantas coisas no meu cotidiano, poderia sim escrever sobre tudo que eu quisesse. Nesse momento, meus poemas ganharam outros temas e sinto que isso enriqueceu o livro, do ponto de vista literário mesmo”, explica a escritora.

Para Bianca, o processo de escrita dos poemas não foi desafiador apenas na narração dos seus textos, mas transcendia ao que era escrito em cada linha. Ela explica que a maior dificuldade que teve ao longo do processo foi compreender que ela já era uma escritora, e teve que desmistificar o conceito que quem teria esse título (ser escritor) seria apenas quem já tinha escrito e publicado alguma obra.

“A minha maior dificuldade ao longo da escrita foi realmente entender que eu já era uma escritora. É comum pensarmos que só pode ter esse título quem já publicou um livro. Mas eu acho que escritor é quem usa a literatura e as palavras para ver e contar o mundo. Claro que a prática é importante e aperfeiçoa o trabalho de qualquer artista, mas não ter publicado não pode definir quem escreve ou não”, conta Bianca.

As inspirações de Bianca para escrever seus textos passam por percepções do cotidiano da autora e que ela tem maior conhecimento sobre, sendo assuntos como política, feminismo, desigualdades sociais e referências literárias.

Primeiro livro autoral

“As tardes que me doem” será o primeiro livro publicado com a assinatura de Bianca Dantas e será publicado ainda em 2022. O livro foi a construção de poemas escritos durante cinco anos e a escritora relata que a construção do material literário foi desafiador, além de que, mesmo sendo um processo que leva um considerável tempo para ser construído, está sendo algo satisfatório.

“Foi desafiador e canalizador de muitas mudanças para mim. Para mim, é realmente a realização de um sonho. Ver o meu nome impresso num livro é quase indescritível. De repente, eu deixei de ser só leitora para também ser escritora. E essa é uma felicidade que toda pessoa que escreve deseja ter ao longo da vida”, relata Bianca.

O livro que será assinado por Bianca será publicado por uma editora independente de São Paulo, e ela explica que a escolha pela empresa editorial se deu através de uma longa pesquisa de mercado e, também, pela identificação com conteúdos publicados. “Pesquisei por editoras independentes e me identifiquei com a Patuá pelos livros publicados, pela qualidade gráfica dos livros e também pela simplicidade deles nas redes sociais”, justifica.

Dicas para chegar ao primeiro livro

Bianca Dantas tem o hábito da leitura – Foto: Arquivo Pessoal/Bianca Dantas Veja também  Colecionável revela armadura da Coração de Ferro em ‘Pantera Negra 2’, e Mike Deodato comenta: ‘animado para o filme’

Bianca escreve desde a adolescência e, para chegar a escrita dos poemas e produção do primeiro livro, ela precisou criar algumas disciplinas e rotinas que fizessem otimizar o tempo e qualidade de produção. A escritora elencou algumas práticas que otimizam a construção literária e podem ajudar a quem deseja escrever um material literário e ainda não sabe como iniciar.

  • Consuma vários tipos de cultura;
  • Não pare de estudar. Leia e faça cursos de literatura e escrita criativa. Um bom escritor continua estudando. E quando acha que já tem o que ensinar, compartilha e continua aprendendo;
  • Leia mulheres. Ler mulheres hoje é não só fazer uma reparação histórica com essas escritoras, mas reconhecer que o trabalho delas é riquíssimo;
  • Tenha um blog. Seja nas redes sociais ou num site mesmo, ter um espaço digital para escrever pode ser bom para mostrar seus textos para o mundo e ainda se divertir deixando tudo com a sua cara; 
  • Não espere a inspiração chegar do nada. Ela está em todos os lugares e pessoas que nos cercam;
  • Crie espaço e momentos favoráveis para escrever. Ter disciplina para escrever é fundamental para se manter em atividade;
  • Participar de leituras coletivas ou clubes de leitura é ótimo para quem quer manter ou mesmo retomar o hábito de ler, porque além do desafio de terminar o livro, você ainda se reúne com pessoas que têm o mesmo interesse para trocar suas impressões.

Além das dicas de disciplina, a escritora explica que o processo na escolha de uma editora ou revistas para publicação é algo primordial para quem está planejando a publicação de um material literário.

“Para quem não tem alcance ou muitos contatos no mercado editorial, uma boa forma de começar a publicar é procurar coletâneas com chamadas ou editais abertos. Algumas revistas e editoras escolhem um tema e selecionam poemas, crônicas, contos, enfim, textos avulsos a serem publicados em um livro. Assim, você começa a ganhar espaço no mercado e ainda conhecer outros escritores contemporâneos”, direciona Bianca.

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Erickson Nogueira

Paraibano e estudante de jornalismo. Apaixonado pelo Nordeste, forró e sua cultura, um bom futebol, além de boas histórias para ouvir, contar e vivê-las.

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