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	<title>Delubio Soares &#187; Lula</title>
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		<title>Entenda por que Serra afundaria o Brasil e Lula o salvou da crise internacional</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2010 23:12:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Crise Econômica Mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Governo Lula]]></category>
		<category><![CDATA[José Serra]]></category>
		<category><![CDATA[Luis Nassif]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[tucanos]]></category>

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		<description><![CDATA[O vídeo definitivo sobre a grande crise de 2008. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">por Luis Nassif</p>
<p>O vídeo definitivo sobre a grande crise de  2008. Um trabalho soberbo desse jorbacdc, mostrando a maior batalha dos  últimos anos, a luta contra a crise global, que marcou definitivamente a  consolidação da candidatura Dilma e o esvaziamento da José Serra.</p>
<div><strong>Por <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/user/jorbacdc" >jorbacdc</a>, no Youtube</strong></div>
<div>August 24, 2010</div>
<p id="eow-description">Este vídeo traça uma cronologia da crise   mundial (2008-2009) sob a ótica da imprensa brasileira e da oposição ao   governo Lula, do PT.</p>
<p>Com pouco mais de 9 minutos de duração, o   vídeo traz também uma resposta aos que não entendem como o governo de   Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) conseguiu quebrar o Brasil três   vezes, a despeito de ter liquidado quase todas as estatais lucrativas.</p>
<p>Pois,   ao que parece, os &#8220;economistas PhDs&#8221; do PSDB não conseguem enxergar   além das &#8220;receitas importadas&#8221; dos seus gurus neoliberais   internacionais. E no meio do &#8220;efeito manada&#8221;, o economista (?) José   Serra disparou a dar entrevistas em que apontava os &#8220;graves erros&#8221; que a   equipe econômica do governo Lula estava cometendo para tentar superar a   crise, pois &#8220;ia na contramão&#8221; das medidas adotadas pelas grande   potências mundiais que, segundo Serra, &#8220;eram as únicas soluções   possíveis&#8221;.</p>
<p>E o vídeo aponta as &#8220;medidas&#8221; e as contradições de   José Serra ante a crise quando ele ainda era governador do Estado mais   rico da Federação.</p>
<p>Ao economista (?) José Serra (e a todos os   demais &#8220;especialistas&#8221; da direita conservadora do Brasil) parece faltar a   ousadia, a sensibilidade e a criatividade mostradas pelo governo do PT   para superar as falhas graves, como a crise financeira mundial e a   desigualdade social de um grande país que, definitivamente, não deve   ficar importando  &#8220;receitas de bolo&#8221; estrangeiras para superar as   dificuldades internas.</p>
<p>O vídeo mostra também de que forma a   grande imprensa brasileira (que se popularizou na blogosfera como &#8220;PIG&#8221;)   exerceu um papel totalmente antipatriótico. Pois que, no furor para   destruir a imagem de Lula, &#8220;importou&#8217; a crise e trouxe graves   consequências ao Brasil, onde a crise poderia ter batido de forma mais   suave se não fosse o alarmismo dos empresários que, pelos noticiários da   imprensa, resolveram erroneamente demitir funcionários.</p>
<p>Em   tempo: a imprensa brasileira foi a única do mundo (daqueles países que   não tinham nada a ver com a crise) que expôs com destaque e   sensacionalismo a crise econômica mundial. A abordagem alarmista foi   ainda pior do que aquela mostrada pela imprensa norte-americana ou   europeia.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Ig9pE6qwzxw?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/Ig9pE6qwzxw?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Publicado Originalmente em <a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-guerra-que-decidiu-as-eleicoes"  target="_blank">Luis Nassif Online</a></p>
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		<title>Lula e o preconceito dos poderosos</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 12:43:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito dos poderosos]]></category>
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		<description><![CDATA[Discurso do Presidente Lula em Campo Grande - MS, falando sobre o preconceito dos poderosos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/keyVjdMFJec?fs=1&amp;hl=pt_BR"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/keyVjdMFJec?fs=1&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></center></p>
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		<title>A melhor eleição de Lula?</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 19:20:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Saiu na Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[MAURO PAULINO]]></category>

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		<description><![CDATA[SE A ELEIÇÃO FOSSE hoje, a candidata lançada pelo presidente Lula seria eleita presidente já no primeiro turno, com larga vantagem sobre seus adversários.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>* Mauro Paulino</strong></p>
<p style="text-align: justify;">SE A ELEIÇÃO FOSSE hoje, a candidata lançada pelo presidente Lula seria eleita presidente já no primeiro turno, com larga vantagem sobre seus adversários.<br />
Pela primeira vez fora das urnas, desde a volta das diretas, Lula desenha seu melhor desempenho em eleições no papel de impulsionador de sua criatura. A inédita transferência de prestígio, em nível nacional, quebra paradigmas e será parâmetro para elaboração de campanhas em eleições futuras.<br />
A aprovação dos brasileiros ao governo federal está no centro dessa eleição e permeia todas as ações e movimentos das candidaturas. Ao tentar associar Serra à imagem de Lula no horário eleitoral a oposição só revela o quanto se vê encurralada pelos 77% que estão ao lado do governo e que, por Lula não poder se reeleger, tendem a optar pela continuidade de seu estilo.<br />
Com 47% de intenções de voto herdadas até aqui, a dupla Lula/Dilma já supera em cinco pontos percentuais a votação obtida em 2002 e em três pontos a de 2006.<br />
Serra está nove pontos acima de sua votação em 2002, mas oito pontos abaixo do que Alckmin alcançou no primeiro turno da eleição passada. Tem o desafio de reconquistar eleitores que o PSDB perdeu para Lula, se quiser postergar a decisão para o segundo turno.<br />
Esse virtual xeque-mate provocado pelo lulismo teve início já na eleição passada. O presidente atingiu pela primeira vez a maioria absoluta de aprovação após os primeiros dias de horário eleitoral, iniciado no dia 15 de agosto de 2006. Após três inserções na TV e no rádio, sua aprovação atingiu 52%.<br />
Caiu para 46% no final do primeiro turno, após o noticiário sobre os &#8220;aloprados&#8221; e voltou a ser maioria durante a campanha para o segundo turno. Desde quando obteve esse impulso do horário eleitoral de 2006 -que apesar de anacrônico tem grande influência na consolidação das convicções políticas dos eleitores-, Lula vem conquistando a cumplicidade de um número cada vez maior de brasileiros. No final de 2008 atingiu, pela primeira vez a marca de 70% de aprovação.<br />
Apesar de contar com maiores taxas de apoio entre os que têm renda mais baixa, chegando hoje a 83% entre os mais pobres do Nordeste, desde 2008 Lula conta com aprovação majoritária de todos os segmentos socioeconômicos da população. A campanha de Dilma soube reforçar esse patrimônio utilizando a força da TV para alavancar sua candidatura a cada onda de inserções partidárias. Sempre que Dilma apareceu em larga escala ao lado de Lula alcançou novos patamares de intenção de voto. Não foi diferente nesses primeiros dias de TV.<br />
Na fase atual, Dilma busca criar empatia com os eleitores herdados de Lula, para mantê-los. Já os que aprovam o governo mas que ainda não se convenceram totalmente precisam ser cativados por completo. A primeira rodada do Datafolha feita após os primeiros programas mostrou que, com vida própria de candidata, já começa a atraí-los também. No primeiro dia deste ano a Folha publicou pesquisa Datafolha mostrando Lula como a figura com mais credibilidade entre 27 personalidades conhecidas do Brasil. Ficava à frente do jornalista William Bonner, do padre Marcelo Rossi e do cantor Roberto Carlos, para citar apenas os primeiros colocados.<br />
Apesar de representar apenas uma curiosidade ao comparar personalidades de diferentes áreas, a pesquisa já dava uma pista do poder de persuasão que Lula vem demonstrando nesta eleição.<br />
Não seria surpresa se sua cria já figurasse hoje entre os primeiros da lista, mais próxima do criador.</p>
<p><span><strong>* MAURO PAULINO</strong> é diretor-geral do Datafolha</span></p>
<p><em><span>Publicado originalmente </span>na Folha de S. Paulo, 24 de agosto de 2010</em></p>
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		<title>Lula e Dilma emocionam 10 mil trabalhadores na porta da Mercedes, onde tudo começou</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 17:49:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[Eleições 2010]]></category>
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		<category><![CDATA[São Bernardo]]></category>

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		<description><![CDATA[embora as pesquisas sejam favoráveis, não dá para ganhar a eleição apenas com elas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://delubio.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/bdee2b3a455e05396cef214b62701568.jpg" ><img class="alignleft size-full wp-image-3150" style="border: 6px solid white;" title="bdee2b3a455e05396cef214b62701568" src="http://delubio.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/08/bdee2b3a455e05396cef214b62701568.jpg" alt="" width="280" height="172" /></a>Numa assembleia especial que reuniu  cerca de 10 mil trabalhadores na porta da fábrica da Mercedes-Benz, em  São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, o Presidente Lula  &#8220;apresentou&#8221; no início da manhã desta segunda-feira (23), a ex-chefe da  Casa Civil Dilma Rousseff como candidata do PT e dele a presidente.</p>
<p>Lula chamou Dilma de &#8220;presidenta&#8221; e  disse que, embora as pesquisas sejam favoráveis, não dá para ganhar a  eleição apenas com elas. &#8220;Quanto mais as pesquisas ficam favoráveis,  mais a gente tem de assumir responsabilidade&#8221;, disse ele, às 6 horas.</p>
<p>Acompanhado dos candidatos a governador  de São Paulo Aloizio Mercadante (PT) e a senador Marta Suplicy (PT-SP),  Lula destacou a importância de trazer a candidata do PT a presidente  para a porta de uma fábrica, onde a história política dele começou. &#8220;Era  importante Dilma pegar energia aqui, na porta de uma fábrica, onde tudo  começou.&#8221; Além de Mercadante e Marta, estavam o deputados Antonio  Palocci (PT-SP) e José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP), coordenadores da  campanha da candidata do PT, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e  antigos colegas do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.</p>
<p>Depois do breve comício, o presidente  desceu do caminhão de som, acompanhado de Dilma e dos candidatos do PT a  governador e a senador por São Paulo, para cumprimentar os operários na  entrada da unidade. &#8220;Não é sempre que um trabalhador pode pegar na mão  de uma mulher presidente da República&#8221;, justificou. Durante o discurso, o  presidente lembrou dos tempos de sindicato e dos principais  companheiros que acompanharam a trajetória dele. &#8220;Aqui, passamos um  pouco de tudo&#8221;, disse a Dilma. Lula propôs-se ainda a panfletar diante  da fábrica. &#8220;Como vou perder o emprego em 1º de janeiro, nada como  aprender a entregar panfleto outra vez&#8221;, brincou.</p>
<p>A última vez que Lula visitou a empresa  foi em 2006, nos 50 anos da fábrica, menos de um mês após a reeleição ao  cargo.Desde a sexta-feira, esse é o terceiro evento na Grande São  Paulo. O maior colégio eleitoral do País é administrado há 16 anos pelo  PSDB e um dos poucos Estados em que o candidato a presidente José Serra  (PSDB) está à frente da candidata petista nos levantamentos de intenção  de voto. &#8220;Se Deus está conosco, quem está contra a gente?&#8221;, perguntou  Lula.</p>
<p>Em visita em junho à fábrica da  Volkswagen, também em São Bernardo do Campo, o presidente havia  informado que voltaria ao ABC durante a campanha. Na época, Lula disse  aos funcionários da montadora que não estranhassem caso ele subisse em  palanques às 6 horas.</p>
<p>* Publicado originalmente em <a href="http://www.construindoumnovobrasil.com.br/index.php/cnb/noticia/lula_e_dilma_emocionam_10_mil_trabalhadores_na_porta_da_mercedes_onde_tudo_/"  target="_blank">Construindo um Novo Brasil</a></p>
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		<title>Encontro com a história</title>
		<link>http://delubio.com.br/blog/2010/08/encontro-com-a-historia/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 00:39:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo Semanal]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Getúlio Vargas]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[JFK]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>

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		<description><![CDATA[O reencontro do Brasil e de seu povo com seu destino, pelas mãos do Estadista Luiz Inácio Lula da Silva, é das páginas mais brilhantes e produtivas de nossa história.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><em>Delúbio Soares (*)</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">O  Brasil tem encontros memoráveis com sua história. O desenvolvimento dá  saltos pelas mãos de homens destemidos, de visionários muitas vezes  incompreendidos, de líderes comprometidos com o desenvolvimento do país e  a evolução social, política e econômica de nosso povo. A mesmice não  escreve história, não marca tentos, não será lembrada pelas gerações  futuras nem marcará a posteridade. Os que ousam, mesmo que sofram  enfrentamentos e injustiças, são os que constroem e edificam para o  porvir.</p>
<p style="text-align: justify;">Nosso  processo histórico está recheado de exemplos eloqüentes, desde que Dom  João VI, forçado pelo avanço de Napoleão, deixou Portugal e veio para a  então colônia. Fundou o Banco do Brasil, o majestoso Jardim Botânico do  Rio de Janeiro, abriu nossos portos, deu início a um ciclo virtuoso de  desenvolvimento que, paradoxalmente, abriria os olhos dos brasileiros  para sua própria potencialidade e importância, desaguando na  independência pelas mãos de Pedro I. E as ferrovias, o telégrafo, a  telefonia, a fotografia, os avanços em diversas áreas das ciências, da  cultura e da educação, vieram pelas mãos de Pedro II, um notável  Estadista, que nos governou por meio-século, e cujo legado histórico  cresce com o passar dos anos. Com Getúlio vieram as leis trabalhistas, a  legislação social, o reconhecimento aos nossos trabalhadores, a  participação gloriosa da FEB nos campos da Itália vencendo o  nazi-fascismo, a Companhia Siderúrgica Nacional (vendida pelos  tucanos&#8230;), a Petrobrás e a indústria de base, permitindo que JK  interiorizasse o desenvolvimento com a construção de Brasília em seu  monumental governo dos “50 anos em 5”. Foram momentos maiores da  nacionalidade, quando nos encontramos com nosso destino de grandeza e  soubemos, então, avaliar exatamente o lugar do Brasil no mundo, sua  força e seu futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje,  depois do hiato das duas décadas de ditadura pós-64, do processo de  redemocratização iniciado em 1985 e da chegada das forças populares e  democráticas ao poder em 2003, através do presidente Lula, o Brasil  vivencia um extraordinário momento em todos os setores de sua vida  social, econômica e institucional. Vivemos sete anos de um verdadeiro  processo revolucionário sem conflitos, sem armas, sem confrontações, sem  vencidos. Experimentamos uma revolução social, comandada pelo  presidente Lula e sua equipe de governo, que estabeleceu novos  paradigmas: retirou quase 30 milhões de brasileiros de condições  sub-humanas e os levou para a classe média; praticamente extinguiu o  desemprego que flagelava dezenas de milhões de trabalhadores; combateu  de frente a chaga do racismo instituindo a política de cotas e levando  nossos irmãos negros e indígenas até as salas de aulas das  universidades;  construiu e inaugurou escolas técnicas e  universidades depois de dois mandatos presidenciais onde isso,  simplesmente, não ocorreu; fez o Brasil ser respeitado, ouvido,  considerado e querido pelas mais importantes Nações e fóruns  internacionais de decisão; enfrentou e venceu o drama da fome,  restituindo dignidade de vida e esperança aos brasileiros abandonados  por um modelo de Estado neo-liberal, selvagem e profundamente desumano e  sem solidariedade para com a cidadania; reativou a economia estagnada  com milhares de obras Brasil afora, com o mais ambicioso e bem-sucedido  programa de desenvolvimento desde os anos JK, o PAC. Lula fez o Brasil  reviver. O Brasil voltou a ser Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje,  quando sentimos nas ruas a clara preferência pela candidatura de Dilma  Rousseff, quando o IBOPE, o Vox Populi e o Sensus já lhe apontam folgada  dianteira sobre o segundo colocado, é bom recordar o Brasil que o  presidente Lula recebeu e o Brasil que Lula nos legará. O Brasil que  havia quebrado três vezes nas mãos de FHC hoje é o Brasil de Lula, que  emprestou dinheiro ao FMI. As estradas federais esburacadas, que  quebravam automóveis e caminhões, que provocavam milhares de acidentes e  mortes, que atrasavam o escoamento de safras e aumentavam os custos da  produção no governo de FHC, hoje, no governo Lula, são verdadeiros  tapetes.</p>
<p style="text-align: justify;">O  Brasil elitista, excludente, que separava o sul do norte, que  estabelecia “muros de Berlim” entre irmãos, que tratava um país  grandioso e um povo genial como massa sem alma, sem vontade, sem  caráter, foi substituído por um Brasil vencedor, cheio de auto-estima e  esperança, onde todos sabem que o futuro é tarefa coletiva e desafio que  será vencido com trabalho, dedicação e democracia. Antes de Lula, medo e  fracasso. Depois de Lula, sucesso e esperança.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas,  nem todos aprenderam. É lamentável que existam candidatos a presidente  da República que se coloquem contra o trem-bala, por exemplo. Parece um  absurdo, mas é a dura realidade: alguém se propõe a governar um país de  dimensões continentais, com uma das maiores economias do mundo, quase  200 milhões de habitantes, e se coloca contra o projeto de meio de  transporte utilizado com sucesso em todos os países desenvolvidos e que,  em verdade, já chega com certo atraso ao Brasil! Qual a explicação para  uma posição assim? Não quer a integração nacional? Não quer que o  governo Lula colha mais essa vitória, tenha mais esse mérito? Não crê  que a população precise ou mereça se locomover num dos meios mais  rápidos e baratos de transporte de massas? Quer que os brasileiros que  viajam entre nossos principais centros urbanos continuem sendo  penalizados pelos caríssimos pedágios instituídos pelos governos do PSDB  nas rodovias estaduais? Pode e deve ser isso tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Muito  se fez na infra-estrutura, especialmente na área dos portos e  aeroportos. E mais será feito no médio prazo com vistas à Copa de 2014 e  às Olimpíadas de 2016. Todo o esforço do governo tem sido feito no  sentido de compatibilizar ampliações e construções necessárias com o  respeito ao meio-ambiente e às verdadeiras necessidades de cada um dos  centros urbanos atendidos. Da mesma forma, as cidades-sede de ambos os  certames apresentarão todas as condições, inclusive de qualidade de vida  de seus habitantes, como autênticos cartões de visita de um país que  está se colocando entre os maiores e melhores do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">O  Brasil cresceu várias décadas nos dois mandatos do presidente Lula.  Foram oito anos que valeram por muitos. E a continuidade, que se faz  necessária, é vontade expressa pelo povo de forma clara, aberta e  sincera. Reduziu-se a injustiça social e o Brasil voltou a acreditar em  seu destino de grande Nação. Os brasileiros retomaram seu caminho rumo  ao futuro de modernidade, progresso e desenvolvimento. Consolidou-se a  democracia e o império da liberdade. O reencontro do Brasil e de seu  povo com seu destino, pelas mãos do Estadista Luiz Inácio Lula da Silva,  é das páginas mais brilhantes e produtivas de nossa história.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><em>(*) Delúbio Soares é professor</em></strong></p>
<p><a href="http://www.delubio.com.br/"  target="_blank">www.delubio.com.br</a></p>
<p><a href="http://www.twitter.com/delubiosoares"  target="_blank">www.twitter.com/delubiosoares</a></p>
<p><a href="mailto:companheirodelubio@gmail.com" target="_blank">companheirodelubio@gmail.com</a></p>
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		<title>Entrevista de LULA a ISTOÉ</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 00:32:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Istoé]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de iniciar a conversa com ISTOÉ, o presidente Lula mostrou que estava disposto a dar uma entrevista reveladora. “Vamos combinar o seguinte: podem fazer qualquer pergunta, por mais inconveniente que pareça”, disse ele ao ocupar a cabeceira da comprida mesa de reuniões no seu gabinete improvisado no Centro Cultural Banco do Brasil. “Vamos adotar o seguinte: é probido proibir”, afirmou.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Presidente Lula recebe os editores da Istoé no CCBB</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de iniciar a conversa com ISTOÉ, o  presidente Lula mostrou que   estava disposto a dar uma entrevista  reveladora. “Vamos combinar o   seguinte: podem fazer qualquer pergunta,  por mais inconveniente que   pareça”, disse ele ao ocupar a cabeceira da  comprida mesa de reuniões   no seu gabinete improvisado no Centro Cultural  Banco do Brasil. “Vamos   adotar o seguinte: é probido proibir”, afirmou.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim foi. Animado, coloquial e  bem-humorado, Lula falou por quase   duas horas com a equipe de ISTOÉ, sem  recusar nenhum tema proposto.  Em  dois momentos mostrou um especial  estado de espírito. Primeiro um   largo sorriso quando recebeu de um  assessor, durante a entrevista, os   dados da última pesquisa Sensus/Ibope  que dava 10% de vantagem à sua   candidata Dilma Rousseff sobre o  oposicionista José Serra. Pouco   depois, o presidente ficaria com o olhos  marejados quando falava dos   principais legados que julga deixar para o  País: “Hoje os pobres sabem   que podem chegar lá.”</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – O sr. deixa o Planalto como o  presidente mais popular da   história do País. Como pensa em administrar  esse patrimônio depois de   sair do governo?<br />
</em><strong>Luiz Inácio Lula da Silva </strong>– O meu medo é tomar uma    atitude precipitada sobre o que eu vou fazer. Montar alguma coisa e    depois de seis meses descobrir que não era aquilo. Então, eu acho que    alguém que deixa o mandato, como vou deixar, numa situação graças a  Deus   muito confortável, tem que dar um tempo de maturação. Preciso de  um   tempo, quem sabe quatro, cinco, seis meses. Tem que deixar a Dilma    construir um governo que seja a cara dela, do jeito dela, e eu ficarei    no meu canto, curtindo o fato de ser um ex-presidente da República.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Isso é possível, presidente?<br />
</em><strong>Lula </strong>– O Felipe González (ex-primeiro-ministro da    Espanha) contou-me uma história que eu faço questão de repetir.    Ex-presidente é que nem aquele vaso chinês que você ganha de presente.    Você não sabe onde colocar o ex-presidente. Ele passa a ser incômodo se    não se tocar que é um ex-presidente. Essa é a parte mais séria da    história. Quero dar um tempo maior. O que eu pretendo fazer? O acúmulo    de acertos nas políticas sociais que nós tivemos no Brasil precisa ser    socializado. Eu quero socializar essas políticas com os países da    América do Sul, do Caribe, com os países africanos. Eu já tenho muitos    convites de países africanos para ir lá e mostrar a ideia e o que nós    fizemos. Mas é para ir lá com tempo, para ir a campo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – O sr. fará as caravanas internacionais, então?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Eu não sei se serão as caravanas como as    que eu fazia aqui no Brasil. Mas pretendo construir uma equipe de    companheiros que acumularam oito anos de experiência no governo e 30    anos de experiência enquanto oposição, para que a gente tente colocar em    prática, junto aos governantes dos países mais pobres, as condições  de   eles terem uma política de desenvolvimento social.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – É preciso ter um cargo para isso, como o de presidente do Banco Mundial?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Não. É só a vontade política.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Mas vários governantes falam de seu nome para ocupar um organismo internacional multilateral. O que o sr. acha disso?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Tenho companheiros que falam, olha Lula    você vai para a ONU. Eu tenho uma ideia diferente. Acho que a ONU é uma    instituição que tem que ser dirigida por um burocrata, que tenha a    consciência de que ela é subordinada aos presidentes dos países. Porque    se você coloca alguém lá, que, por coincidência, tenha mais força que    alguns presidentes, haverá, no mínimo, uma anomalia. Você fica com uma    instituição criada para servir os países com gente mandando mais.    Imagine se a moda pega e os ex-presidentes americanos resolvem ser    secretário-geral da ONU.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Quando Dilma veio para a Casa Civil percebi que eu estava<br />
diante de um animal político não trabalhado”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Devo muito do sucesso do meu governo ao Palocci. Talvez pela qualidade<br />
de médico, de não sentir a dor que sente o paciente, ele manejava a economia com<br />
a maestria que um economista não teria”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Mas o sr. recusaria um convite nessa direção?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Eu recusaria. Recusaria essa coisa de Banco    Mundial. Eu tenho consciência do seguinte: tenho 64 anos e quando    deixar a Presidência vou ter 65 anos, logo ainda tenho uma contribuição    política para dar ao País. Eu sonho com a construção de uma frente   ampla  no Brasil. Juntar as forças políticas aqui, construir um programa    comum, fazer a reforma partidária, que acho que é uma condição sine   qua  non para a gente poder mudar em definitivo o Brasil. Temos que   fazer a  reforma partidária. Isso não é coisa de presidente da   República. Isso é  coisa dos partidos políticos. E eu, de fora, pretendo   ajudar o meu  partido a organizar os outros partidos em torno da ideia   da reforma  política.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – O projeto de um instituto para irradiar essas ideias também está em curso?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Também está em conta. Mas agora estou com a    minha cabeça voltada para o seguinte: tenho mais cinco meses de    governo. Tem muita coisa para acontecer, e sabe do que eu tenho medo? Eu    sou muito amante do futebol e o que eu jamais faria como técnico é    marcar um gol, correr para a retranca e ficar esperando o adversário vir    para cima de mim. Então, tenho muito trabalho pela frente. Quero    trabalhar até o dia 31 de dezembro. Tenho agenda até o dia 29 de    dezembro, tenho agenda no dia 28 de dezembro, eu quero ter agenda até o    último dia de trabalho. No dia que eu entregar a faixa para quem for    eleito presidente da República, aí sim…</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Presidente, pelas pesquisas  atuais, há uma grande chance   de o sr. entregar a faixa para a  ex-ministra Dilma Rousseff. A que o   sr. atribui o êxito de Dilma? Foi  graças ao empenho do sr.? É o perfil   dela?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Acho que há um conjunto de valores.    Primeiro, é preciso ter muita humildade para pedir para o povo votar na    Dilma. Um voto é um direito livre e soberano de cada cidadão, mas,  como   eu passei por aqui oito anos e sei como funciona isso, sinto-me  na   obrigação de dizer ao povo quem eu entendo que poderia dar  continuidade   àquilo que nós estamos fazendo. Esta é a primeira coisa  com que nós   temos que ter todo o cuidado. A segunda coisa é a  seguinte: um governo   que tem 76% de bom e ótimo nos últimos cinco  meses de mandato, um   presidente da República que tem 86% de bom e  ótimo e se colocar regular   vai a 98%, 97% em alguns Estados, é um  governo com forte possibilidade   de fazer a sucessão. Tem uma aliança  política muito forte. Tem muitos   candidatos a governador apoiando a  ministra Dilma. Ela está muito bem   preparada, não tem hoje no Brasil  ninguém mais preparado do que a Dilma,   do ponto de vista de ter o  Brasil na cabeça.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Mas o sr. construiu sua candidata do zero, não é, presidente?<br />
</em><strong>Lula </strong>– É por isso que nós preparamos o PAC 2.    Porque eu poderia deixar para ela preparar em janeiro. Mas o que eu quis    na verdade foi, primeiro, definir as obras prioritárias para o Brasil    com os governadores e os prefeitos, colocar dinheiro tanto no  orçamento   quanto na LDO. Então quem começar a governar não vai ter que  encher a   bola. A bola vai estar cheia e o cara vai começar jogando.  Eu acho que a   Dilma está extremamente preparada e madura  politicamente. Acho que a   vantagem da Dilma é que ela não tinha  pretensão. Acho que jamais passou   pela cabeça da Dilma que ela seria  escolhida candidata a presidente da   República</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – E na cabeça do sr. qual foi o primeiro momento?<br />
</em><strong>Lula </strong>– O primeiro momento que me veio na cabeça    foi quando eu, na Favela da Rocinha, no Rio, disse que ela era a mãe do    PAC. Ali, na verdade, eu estava começando a preparar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – O sr. chegou já chegou lá com a ideia de fazer essa declaração?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Foi na hora, em função do clima, que eu falei. E foi importante naquele momento.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Muita gente pensava que sua  candidata seria a Marina   Silva, que, pelo histórico, era considerada o  Lula de saias. Por que a   Marina Silva não foi a sua escolha?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Quando a gente vai escolher alguém para ser    presidente da República, essa pessoa tem que ter um acúmulo de    qualidades, e não apenas um pouco de qualidades. A Marina é minha    companheira de 30 anos. Vocês jamais ouvirão da minha boca uma palavra    ou uma vírgula que possa falar mal da Marina. Um ano antes de deixar o    governo, a Marina pediu demissão. Eu não aceitei a demissão dela por    conta da Dilma Rousseff. A Dilma e o Gilberto Carvalho me pediram para    convencê-la a ficar. Ela ficou mais um ano, até que quis sair. Até  hoje   não me explicou por que saiu do PT e eu não fui tomar satisfação  do   motivo por que ela saiu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“De vez em quando adoto uma máxima do Chico Buarque:<br />
tem que ouvir o ministério do que vai dar merda”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“O parlamentarismo não dará certo, como não dará<br />
certo uma cooperativa se você criá-la de cima para baixo”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“É muito melhor para o candidato se ele tiver um presidente<br />
do qual não tenha vergonha de dizer que é apoiado por<br />
ele, como o Al Gore fez com o Bill Clinton”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Antes da Dilma, o sr. chegou a pensar em outros nomes? No seu primeiro mandato havia Palocci, José Dirceu…<br />
</em><strong>Lula </strong>– Obviamente, se não tivesse acontecido com o    PT o que aconteceu em 2005, o quadro político poderia ser outro. Mas a    Dilma, então, veio para a Casa Civil. E eu já contei que a Dilma foi    escolhida ministra de Minas e Energia por conta de uma reunião que eu    estava fazendo em São Paulo, preparando 2002. Quando ela chegou,  depois   de uma hora de reunião, eu falei: é a minha ministra. Tanto é  que o Zé   Dirceu já tinha feito acordo com o PMDB para ter o Ministério  de Minas e   Energia e eu disse: “Desfaça tudo porque eu já tenho a  ministra.” E  ela  foi de uma competência exuberante na construção do  marco  regulatório do  modelo de energia elétrica do Brasil. Quando ela  veio  para a Casa Civil  começamos a trabalhar juntos, a nos reunir   cotidianamente, a discutir  as reuniões. Aí eu percebi que estava diante   de um animal político não  trabalhado. De um animal político que foi   educado a vida inteira para  ser técnica. E eu comecei a falar: bom,   agora nós temos que descobrir o  lado político de Dilma.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – E como o sr. fez?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Fui colocando a Dilma em várias reuniões    das quais, teoricamente, ela não precisaria participar. Comecei a    levá-la para viajar comigo para que começasse a ver o mundo de uma    concepção mais política. Eu acho que hoje ela é uma figura    extraordinariamente preparada. Lógico que na política você está sempre    se preparando. Às vezes, as pessoas ficam comparando a Dilma comigo.  Mas   não é possível, porque eu venho de um mundo diferente. Comecei    diferente. E tenho um acúmulo diferente.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Mas a geração é a mesma…<br />
</em><strong>Lula </strong>– É a mesma, mas traçamos caminhos    diferentes. Eu acho que o que é importante é que ela é hoje uma mulher    sem ressentimentos, sem mágoa. Eu conto sempre o dia em que eu desci  com   Dilma de helicóptero no Quartel do 2º Exército em São Paulo.  Quando o   helicóptero parou, ela ficou olhando, olhando e disse: “Foi  aqui que eu   fui trazida quando fui presa.” E depois me disse:  “Engraçado, não  estou  ressentida.” Descemos lá, fomos tomar café,  cumprimentamos todo  mundo.  Eu achei isso um gesto de superação, o que é  importante para  alguém  governar esse país. Quando chega ao cargo de  presidente da  República,  ninguém tem o direito de ter mágoa, rancor,  ressentimento,  de dizer eu  não gosto de fulano. Não tem esse direito.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Um dos ministros mais  importantes para o sr. foi o   Palocci, que agora está na campanha de  Dilma. Como o sr. vê o papel   dele num eventual futuro governo Dilma?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Esse é um problema do futuro governo. Mas    eu vou dizer o que penso do Palocci. Acho que no Brasil nós temos, se é    que temos, raríssimas pessoas com a inteligência política do Palocci.    Digo sempre que eu credito uma parte do sucesso do meu governo aos    primeiros dois anos, quando nós tivemos que comer carvão em vez de filé    mignon. Quando tivemos que trocar todo o capital político que eu tinha    por uma política fiscal dura. Assim, a gente pôde chegar aonde  chegou.   Possivelmente, se não fosse o Palocci, nós não teríamos feito  isso.   Talvez pela qualidade de médico, de não sentir a dor que sente o    paciente, ele manejava a economia com uma maestria que possivelmente  um   economista não manejasse. Eu devo muito do sucesso do meu governo  ao   Palocci. Ele é um animal político que certamente dará contribuições    enormes a esse país. Ele é muito jovem e acho que ainda tem muita    contribuição para dar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – A Dilma não era uma escolha clara do PT, mas o sr. fez valer sua vontade. O sr. acha que ficou maior do que o PT?<br />
</em><strong>Lula </strong>– É humanamente impossível fazer qualquer    teste de DNA no PT e não me encontrar lá dentro. Da mesma forma é muito    difícil fazer um DNA em mim e não encontrar o PT aqui dentro. O fato  de   eu ter sido presidente me transformou numa figura infinitamente  mais   projetada do que o PT. Mas isso não significa que eu seja maior  do que o   PT. É um partido muito organizado no Brasil inteiro, que tem  muita   força. Agora, acho que nós temos condições de construir uma  coisa mais   forte. Eu tenho dito a alguns companheiros que não é uma  tarefa fácil,   mas eu gostaria de criar, dentro de um processo de  reforma política, uma   frente ampla de partidos que pudesse construir  um programa para o   Brasil, mais forte do que um partido. Pode ter  gente de todos os   partidos, pode ter a maioria dos partidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Isto seria o fim do PT?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Não. É uma espécie de seleção brasileira. O    Corinthians não deixa de ser Corinthians porque o Mano Menezes   convocou  o Jucilei. E nenhum time deixa de ser porque teve craques   convocados. É  uma coisa maior para construir um arco de alianças maior.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Esse grupo poderia ter o PSDB?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Eu acho que acabou o tempo da ilusão em que    a gente poderia trabalhar junto com o PSDB. Eu acreditei nisso. E   muita  gente do PT acreditou nisso.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – O sr. acha que o PSDB foi para a direita?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Acho que eles escolheram outro projeto.    Vocês estão lembrados que, logo que o Fernando Henrique Cardoso assumiu a    Presidência, ele juntou gente que na época se comportava como de    esquerda, como o PPS. Aquelas pessoas achavam que iriam ter uma    participação no governo. Qual foi o problema? Foi a reeleição, que    conduziu para uma relação promíscua com o Congresso Nacional e a coisa    desandou um pouco. Essas coisas são muito fáceis de falar, mas é muito    difícil fazer, porque para construir uma frente ampla é preciso    construir uma direção partidária, que as pessoas respeitem, que vejam    nela uma liderança. De qualquer forma, como vou ter tempo, essa questão    política vai voltar com muita força na minha cabeça. Acho que nós  temos   que fazer um reforma para moralizar a política no Brasil,  fortalecer  os  partidos políticos, para moralizar a fidelidade  partidária, para  parar  com esse negócio de judicializar a política  como ela está  judicializada.  Isso se faz com o debate político. E eu  quero estar vivo  no debate  político.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Tem rico que vem aqui, te pede um bilhão de reais e sai falando mal de<br />
você. O pobre te pede dez reais e fica agradecido pelo resto da vida”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“O que leva um homem a ter preconceito contra um ser humano que o<br />
carregou na barriga nove meses? Que o limpou enquanto ele não sabia se limpar?<br />
Vamos ser francos: o nosso caráter é o da nossa mãe”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Como sua imagem, que nem os  adversários atacam nesta   campanha, pode ser usada sem ofuscar a  candidata? Qual é a dosagem   certa?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Fico feliz em saber que ninguém quer fazer    campanha falando mal de mim. É uma coisa boa, é agradável. Mas eu  tenho   um lado, um partido e um candidato. E isso eu faço questão de  deixar   público durante o processo eleitoral. Uma coisa a gente tem que    compreender: eu cito muito futebol porque futebol é a coisa mais  fácil   do povo entender. Não existe a possibilidade de o Lula ofuscar a    grandeza da candidata, porque vai chegando o momento em que o clima  na   sociedade, na imprensa, no debate, é da candidata, não é do  presidente. A   sociedade vai percebendo isso. É muito melhor para a  candidata se ela   tiver um presidente que ela não tenha que ter  vergonha de dizer que é   apoiada por ele, como o Al Gore fez com o Bill  Clinton.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – O PT não terá mais influência num governo de Dilma do que teve no seu?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Quem fala isso não conhece a Dilma. Ela é    uma mulher de personalidade muito forte. O PT está na direção da    campanha da Dilma, como estava na direção da minha.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Mesmo o relacionamento do sr. com o PT foi mudando…<br />
</em><strong>Lula </strong>– A minha relação com o PT era diferente    porque eu fui o criador do PT. Fui 13 anos presidente do PT. A minha    relação com o partido sempre foi diferente da relação da Dilma, que é    uma filiada. A direção do PT hoje está totalmente afinada com a    candidata e a candidata totalmente afinada com a direção.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – E aquele episódio do programa de governo diferente, apresentado pelo PT?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Vocês não podem errar e confundir uma tese    com o programa. Quando se constrói um programa suprapartidário, cada    partido constrói uma palavra, uma vírgula. Enquanto não há operação    definitiva que diga “está pronto o programa”, não é programa, é    pré-programa. E no pré-programa entra qualquer coisa. O programa não é    do PT nem pode ser. O programa tem que ser uma síntese do pensamento  dos   partidos que compõem a base de apoio da ministra Dilma. É com isso  que   ela vai governar o País. E ela e o partido têm clareza disso.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – O sr. acha que ela conseguirá ter ascendência política sobre o partido?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Vai ter. Deus queira que ela não tenha    muita ascendência, porque não é importante que a candidata passe a ser    muito mais forte, porque pode querer desrespeitar o partido. Eu quero    que ela passe a ter uma relação com o partido de liderança, de  respeito,   que não tenham medo dela. Eu quero que os dois se respeitem.  Se os  dois  se respeitarem, eles vão divergir, vão brigar, mas vão  construir o   melhor.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Como o sr. vê a relação com o PMDB, tradicionalmente fisiológico, que exige ministérios e muitos cargos no governo?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Eu não acho que seja assim. Nós temos que    levar em conta que o PMDB é um partido forte. E que continuará sendo. É    um partido que tem muitos vereadores, muitos prefeitos, muitos    deputados, muitos senadores. Sempre, qualquer que seja o governo, de    ultraesquerda ou de ultradireita, será preciso trabalhar com o PMDB.    Quando nós fizemos a Constituição de 1988, esse foi um equívoco. Nós    construímos uma carta parlamentarista. Fizemos um plebiscito e o    parlamentarismo tomou uma trolha de 80%. Só para vocês saberem, a    direção do PT, da qual eu fazia parte, era parlamentarista. Mas eu ia    para o debate e o pessoal falava assim para mim: “Ô Lula! Você é tonto,    rapaz! Agora que está chegando a hora de a gente chegar ao poder você    quer transferir poder para o Congresso te eleger? Não vão te eleger    nunca.” Nós perdemos internamente no PT. A direção tomou uma surra. Acho    que mais de 70% ficaram contra a direção.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – O sr. continua parlamentarista?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Eu acho que tudo está ligado à evolução    cultural da sociedade. O parlamentarismo não dará certo, como não dará    certo uma cooperativa, se você criá-lo de cima para baixo. Eu, por    exemplo, trabalhava com a ideia de que era favorável ao voto distrital.    Como eu imaginei organizar o PT por núcleos, em cada rua, em cada  vila,   pensava numa organização tão forte que não haveria dinheiro no  mundo   capaz de ganhar uma eleição de você. Eu sonhava isso. Você teria  como   candidatos as grande personalidades e as lideranças sociais. Mas  muita   gente no PT não acreditava nisso. Defendiam que tem que se  pedir voto   para todo mundo. Mas essa história favorece quem? Quem tem  dinheiro. Eu   conheci deputado que pegava helicóptero e viajava para o  interior para   passar a tarde carregando gente. Parava em campo de  futebol, colocava o   sujeito dentro do helicóptero e dava uma volta.  Ganhava o voto do   tadinho que nunca andou de helicóptero. Mas também  esse processo de   mudança não pode ser um estupro. Ter a maioria e  empurrar na garganta da   minoria, não. O problema é que não há muito  debate.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>TOÉ – O sr. espera que sua ideia de frente ampla mude o modo de fazer política no País?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Eu quero ter esse papel aqui dentro. Também    tenho discutido muito em nível internacional. Muita gente já  conversou   comigo para que eu tivesse um papel na Internacional  Socialista. Mas   acho que a Internacional Socialista tem a cara da  Europa, não tem a cara   da América Latina. Eu seria um estranho no  ninho. Mas eu quero também   contribuir para que a gente discuta um  pouco uma organização política   aqui na América Latina.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Hoje agradeço por todos os santos o segundo turno<br />
com o Alckmin, porque eu pude lavar a minha alma”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Quando você tem um político cretino, ele não quer que<br />
seu aliado ganhe, mas, sim, que o adversário ganhe”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Eu quero estar vivo no debate político”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Nos mesmos termos?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Eu não sei ainda. Mudou a cara política da    América Latina, mas os partidos continuam os mesmos. As forças são as    mesmas. A gente não evoluiu na organização internacional. O que é o    partido do Chávez? Ou os partidos políticos na Argentina? Lá tem um    monte de partidos políticos, mas todos são peronistas. O Uruguai tem o    partido mais organizadinho, com a Frente Ampla. No Paraguai, o    presidente foi eleito por fora dos dois maiores partidos. É juntar essa    coisa toda e começar a elaborar possivelmente uma nova doutrina da    criação de uma instituição política que pense em uniformizar    determinados princípios na América Latina. Sem o dogmatismo do    manifesto, que não venha com aquele negócio da terceira, quarta    internacional, não quero mais saber disso.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Há um temor no meio empresarial de um futuro governo da Dilma ser mais estatizante que o seu.<br />
</em><strong>Lula </strong>– Não há essa hipótese. Eu conheço bem a    Dilma e sei o que ela pensa. Obviamente que nós não queremos ser    estatizantes, mas também não vamos carregar a pecha que nos imputaram    nos anos 80, quando se dizia que o Estado não valia nada e que o mercado    era o Deus todo-poderoso. Essa crise americana mostrou que o mercado é    frágil, é corrupto e que quem tinha o Estado mais forte salvou-se    primeiro. No caso do Brasil, se não tivéssemos o Banco do Brasil, como é    que a gente iria comprar a carteira de financiamento de carro usado  do   Votorantim? Eu cheguei para o Banco do Brasil e para o companheiro   Guido  Mantega (ministro da Fazenda) e disse: “Companheiros, nós não   podemos  deixar quebrar as finanças de carro usado, porque se não vender   carro  usado não tem compra de carro novo.” Eu perguntei para o Dida    (presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine): “Como o Banco do    Brasil está? Pode financiar carro usado?” “Ah! Nós não temos expertise,    presidente.” Eu perguntei, o que a gente faz então? “A gente tem que    formar.” Que formar, o quê! Não temos tempo de formar, a crise está    aqui, batendo à porta. Vamos comprar de quem tem. O Votorantim tem, quer    vender? Então compramos 50% da expertise do Votorantim. Acabou o    problema. O Serra queria vender a Caixa Econômica Estadual. Começaram a    falar para mim: “Você não pode comprar, porque o Serra é candidato, é    adversário, o Serra vai juntar muito dinheiro para a campanha.” Eu    disse: vocês são doidos! Acham que, por causa da campanha do Serra, vou    deixar de comprar um banco que permitirá que o Banco do Brasil volte a    ser o maior do País? Quem vai fiscalizar o dinheiro do Serra é a   Justiça  Eleitoral, não serei eu. Nós vamos comprar. E compramos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Acabou o tempo da ilusão de que a gente poderia trabalhar junto com o PSDB”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“O fato de eu ter sido presidente me transformou numa figura infinitamente<br />
mais projetada do que o PT. Mas isso não significa que eu seja maior que o PT”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Quem chega ao cargo de presidente não tem o direito<br />
de ter mágoa, rancor, de dizer que não gosta de fulano”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – O sr. considera que estes foram dois grandes momentos no enfrentamento da crise?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Quando a gente chega aqui é menos teoria e    mais prática. Quando a gente está na oposição, está discutindo. Você    fica numa mesa de bar conversando e diz: eu penso isso, eu penso  aquilo.   Quando senta naquela cadeira de presidente, você não acha,  você não   pensa, você não acredita. Você faz ou não faz. E tem que  tomar decisão   na hora. Não tem que se preocupar com a repercussão. Eu,  de vez em   quando, adoto uma máxima do Chico Buarque: tem que ouvir o  ministério do   que vai dar merda. Aprendi antes de tomar a decisão a  chamar outras   pessoas para perguntar: isso aqui vai dar merda ou não?  Governar é uma   coisa engraçada. Uma vez o Gilberto Gil propôs a  criação da Ancinave.   Era uma proposta. De repente a gente estava  tomando porrada de todos os   lados. Eu reuni numa mesa todos os  ministros envolvidos naquilo:   Justiça, Fazenda, Indústria e Comércio,  Cultura, Secom e mais uns três   ou quatro. Disse que nós estávamos  apanhando muito na imprensa e que eu   precisava saber se todos nós  estávamos de acordo com a proposta na  mesa.  Foi fantástico. Nenhum  ministro concordava com a proposta. Porque  era  uma proposta para  debate e surgiu como se fosse uma proposta  acabada do  governo. Então  eu falei: “Alguém tem que comunicar à  imprensa que está  retirada a  proposta. Se ninguém defende a proposta,  por que vai  continuar?” No  governo ou você toma a decisão rapidamente  ou é engolido  rapidamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – O Brasil, apesar dos preconceitos machistas, está pronto para ser presidido por uma mulher?<br />
</em><strong>Lula </strong>– O preconceito é uma coisa cultural muito    forte no mundo e no Brasil. Mas a ascensão das mulheres nos últimos 20    anos é uma coisa extraordinária. Fui num debate com empresários no    Paraná na sexta-feira passada e eu dizia a eles: o que leva um homem a    ter preconceito contra um ser humano que o carregou na barriga nove    meses? Que o limpou enquanto ele não sabia se limpar? Que o ensinou a    comer quando ele não sabia comer? Que formou o seu caráter e que    continuou cuidando dele até ele se casar? E só parou quando a sogra    começou a se invocar? Qual é a razão que a gente tem para não acreditar    num ser que fez a gente? Vamos ser francos: o nosso caráter é o da   nossa  mãe. A gente pode adorar o pai da gente, mas na hora, que a gente   caiu  quem estava do nosso lado era nossa mãe. Na hora que a gente   tinha dor  de barriga quem estava conosco era nossa mãe. Na hora que a   gente  acordava de noite chorando quem estava do nosso lado era nossa   mãe. Quem  levantava para trocar nossa fralda de noite era nossa mãe.   Quem  colocava mamadeira na nossa boca de manhã era nossa mãe. Quem dava   o  peito para a gente machucar era nossa mãe. Por que nós temos   preconceito  contra essa figura tão nobre? Eu tenho dito para a Dilma   que ela tem  que dizer: “Eu não vou governar o Brasil. Eu vou cuidar do   povo  brasileiro.” Porque a palavra correta é cuidar. E cuidar da parte   mais  pobre. Tem rico que vem aqui, te pede um bilhão de reais e sai   falando  mal de você. O pobre te pede dez reais e fica agradecido pelo   resto da  vida. Então, nós temos que cuidar do povo. Esse país não pode   continuar  com o povo esquecido. Eu acho que nós vamos vencer o   preconceito.</p>
<p><img title="Credito: " src="http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_3646548769437446.jpg" alt="img.jpg" /></p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Acha que foram superados preconceitos que havia contra o sr.?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Eu fui vítima de muito preconceito. Nas    primeiras eleições que perdi, eu perdi porque o pobre não confiava em    mim. E eu não tinha mágoa do pobre por isso. Mas ele me via e dizia: se    esse cara é igual a mim, por que eu vou votar nele? Era isso que  levava  o  pobre a desconfiar de mim. Eu precisei perder três eleições,   amadureci  muito, e a sociedade foi amadurecendo até compreender que   poderia votar  em mim. Hoje, eu acho que o grande legado que vai ficar   da minha  passagem pela Presidência são os pobres desse país estarem   acreditando  que eles podem chegar lá. É isso que eu quero fazer com a   mulher. A  mulher não é apenas a maioria numérica. Em muitas funções, a   mulher é  igual ou mais competente do que os homens. Todos vocês são   casados e  suas mulheres são mais corajosas do que vocês. E a minha   também. As  nossas mulheres têm coragem de fazer brigas que nós não   fazemos. Às  vezes, o vizinho enche o saco e nós dizemos que vamos   conversar. E a  mulher diz: “Não tem essa não.” Ela abre a porta e vai   lá. Eu acho isso  uma coisa estupenda. A coragem da Marisa para tomar   decisão é  infinitamente maior do que a minha. Com ela, eu tenho que   contemporizar.  Não, não vamos brigar agora. E ela diz que tem que   resolver já, não tem  meio-termo. E eu acho que toda mulher é assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Como o sr. vê José Serra como adversário de Dilma?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Para mim, essa é uma eleição engraçada.    Três candidatos de oposição foram do meu partido: Marina Silva, do PV,    José Maria, do PSTU e Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL. E o Serra é  uma   pessoa com quem eu tenho uma relação de respeito muito antiga.  Quando   vejo eles debatendo, não tenho nenhum inimigo. Tenho alguns  adversários   disputando com a minha candidata. E eu acho que o Serra  deu azar. Deu   azar de disputar comigo quando eu não podia perder. Digo  do fundo da   alma, eu nunca tive a menor preocupação de que não  ganharia aquela   eleição de 2002. Eu estava convencido de que era a  minha vez, que tinha   chegado a hora. Eu tinha participado da  candidatura do (Franco) Montoro  e  sabia como era isto. Em 1982, não  adiantava nada, aquela era a hora  do  Montoro ser governador. Podia  falar o que quisesse. Que ele tinha  20, 80  aposentadorias. Era a hora  dele. E foi. Em 2002, eu sabia que  era a  minha hora. Eu lembro que  quando não ganhei no primeiro turno,  cheguei  no gabinete à noite e  havia uns 100 delegados da América  Latina, todo  mundo lá triste.  Estavam lá o Zé Dirceu e o Duda Mendonça  na frente da  telinha medindo  voto, dizendo que ia dar por meio ponto. E  eu disse:  “Gente, deixa  para lá. Tanto faz primeiro ou segundo  turno.Vai apenas  demorar um  pouco mais. E vai ter uma diferença bem  maior depois.” E foi  uma coisa  extraordinária porque o segundo turno  permite que você tenha  um  embate direto. Eu hoje agradeço por todos os  santos o segundo turno   com o Alckmin, porque eu pude lavar a minha  alma. Eu pude aumentar a   minha votação em 12 milhões de votos. E ele  perdeu três milhões de   votos, uma coisa inédita.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – E qual é exatamente o azar do Serra, presidente?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Ele foi candidato num ano em que eu não    tinha como perder as eleições. E ele agora é candidato num ano em que a    Dilma tem todas as condições de ganhar as eleições porque o governo   está  muito bem e porque as coisas vão melhorar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – O sr. acredita em decisão já no primeiro turno?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Eu acredito no processo eleitoral. Para    mim, não importa que seja no primeiro ou no segundo turno. Nós temos é    que ganhar as eleições. Temos que trabalhar para ganhar as eleições. E    eu acho que é uma eleição que pode terminar no primeiro turno. Mas se    for para o segundo turno não existe nenhum problema, nenhum trauma.  Nós   vamos fazer uma bela campanha.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Fala-se muito que há uma grande  possibilidade de, em   2014, o presidente eleito agora ter o sr. pela  frente. Como está   desenhada essa possibilidade?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Vamos colocar a política no seu devido    lugar. Quando você tem um político cretino, ele não quer que o seu    aliado ganhe, mas, sim, o adversário para ele voltar quatro anos depois.    No meu caso, eu lancei a Dilma candidata porque eu quero que ela   ganhe.  E porque eu quero que ela faça um governo melhor do que o meu. E   que  ela tenha direito a ser candidata à reeleição. É um direito   legítimo  dela. Não tem essa de que a Dilma vai ser candidata para o   Lula voltar  em 2014. Não existe essa hipótese. Se a Dilma for eleita   ela vai fazer  um governo extraordinário e vai ser candidata à   reeleição. Se o  candidato for um adversário, a história muda de figura.   Mas, aí, eu  preciso estar bem, porque eu já vou estar com 69 anos. E   com 69 anos  você parece novo, mas não é tão novo, não. Eu, às vezes,   acho que na  política deveria ser que nem na Igreja Católica, onde o   bispo se  aposenta com 75 anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – A mais ousada ação do seu  governo na política externa   nos últimos tempos foi a intermediação da  questão atômica com o Irã. O   que faltou para o êxito da negociação?<br />
</em><strong>Lula </strong>– É o tipo da coisa que somente o tempo vai    se encarregar de mostrar o que aconteceu. Eu não tinha nenhuma relação    de amizade com o (Mahmoud) Ahmadinejad. Conheci o Ahmadinejad numa    reunião da ONU antes da minha ida a Pittsburgh para discutir o G-20.    Tive uma conversa com ele. Discutimos duas horas e a primeira coisa que    comecei a discutir era a respeito do Holocausto. Se era verdade ou não    que ele não acreditava no Holocausto. E ele disse: “Não foi bem isso   que  eu quis dizer.” Se não foi bem isso que você quis dizer, então,   diga.  Porque em política todas as vezes que a gente começa a se   explicar muito  é porque a gente cometeu um erro. Ele disse: “É porque   morreram 67  milhões de seres humanos na Segunda Guerra e parece que só   morreram os  judeus. Os judeus se fazem de vítimas.” Eu falei que se  era  isso que  ele, Ahmadinejad, queria dizer então dissesse. Morreram  67  milhões de  pessoas na Segunda Guerra, mas os judeus não morreram em   guerra. Eles  foram assassinados a sangue-frio, crianças, mulheres, em   câmaras de gás,  é diferente. Senti que tinha uma possibilidade de   conversa. Ele  pessoalmente é muito mais afável do que na televisão.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Como o sr. encaminhou a questão?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Eu cheguei na ONU, cheguei em Pittsburgh,    tinham dado uma entrevista o Sarkozy (presidente da França, Nicolas    Sarkozy), Gordon Brown (então primeiro-ministro britânico) e Barack    Obama (presidente dos EUA) criticando Ahmadinejad. Fui no Obama e falei:    “Companheiro, você já conversou com o Ahmadinejad alguma vez? Não.   Você  se dignou a pegar o telefone, ligar para ele e dizer: eu quero    conversar com você? Não”. A mesma conversa eu tive com o Sarkozy, com o    Gordon Brown e com a Angela Merkel (chanceler alemã). Ora, vocês nunca    conversaram com o Ahmadinejad e estão dizendo que ele não quer sentar  à   mesa para negociar essa questão da paz. Então eu quero dizer para   vocês o  seguinte: eu acredito que ele quer sentar e eu estou convidando   ele  para ir ao Brasil, estou convidando o primeiro-ministro de  Israel,  estou  convidando o Shimon Peres, estou convidando o presidente  da  Síria para  ir ao Brasil. Separadamente, cada um na sua data.   Ahmadinejad veio aqui.  Nós conversamos mais de duas horas. Eu disse   que, se fosse possível a  gente avançar, eu mandaria o Celso Amorim ir   muitas vezes lá. Como a  Turquia também estava tentando, então o Celso   Amorim e o ministro das  Relações Exteriores da Turquia começaram a   conversar com o  primeiro-ministro do Irã, preparando a nossa ida lá. Em   Copenhague,  quase que eu consigo marcar um jantar entre Sarkozy e   Ahmadinejad. Mas,  como a rainha da Dinamarca não convidou o Ahmadinejad   para o jantar, não  deu. Chegou o dia de eu ir ao Irã e eu falei para o   Celso que era  preciso dizer para o Ahmadinejad que eu não poderia   fazer uma viagem  inútil.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Não haverá solução no Oriente Médio enquanto os americanos<br />
acharem que eles são os responsáveis pela construção da paz”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Obama achou que eu e a Turquia estávamos sonhando<br />
acreditando no Ahmadinejad, que ele iria enganar a<br />
gente. Eu disse o seguinte: ‘Nasci político, meu filho’”</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – O sr. também havia recebido um pedido de Sarkozy para encaminhar ao Ahmadinejad.<br />
</em><strong>Lula </strong>– Sarkozy tinha falado conosco da moça que    estava presa, se poderia ter um gesto de liberar. Eu conversei com    Ahmadinejad e ele se comprometeu a liberar, tanto é que eu cheguei à    meia-noite lá e às cinco horas da manhã ele liberou. Duas semanas antes    de eu viajar, recebo uma carta do Obama. E a carta do Obama tinha um    viés. Primeiro tratando de uma forma carinhosa, se desculpando da    grosseria dele quando nós fomos discutir o assunto nuclear lá. Ele achou    que eu e a Turquia estávamos sonhando, acreditando no Ahmadinejad,  que   ele iria enganar a gente, não iria cumprir nada. Eu disse o  seguinte:   “Eu nasci político, meu filho. Toda a minha vida, desde  1969, foi   negociar. Perdi muita coisa, ganhei muita coisa, mas  negociar é a arte   maior de fazer política. Então eu vou lá porque eu  acredito.” Tanto é   que quando eu cheguei na Rússia, na viagem para o  Irã, Dmitri Medvedev   (presidente russo) me disse: “Obama me ligou  dizendo que ele acha que   você vai ser enganado pelo Ahmadinejad.” Um  jornalista perguntou:   “Escuta aqui, de zero a seis, qual é o grau de  otimismo que você tem   para fazer a negociação?” O Medvedev falou 30%.  Eu disse: Porra! Que   otimismo pessimista! Eu falei 99,9%. Cheguei ao  Qatar, o Obama tinha   ligado para o emir dizendo que vão enganar o  Lula. Cheguei ao Irã,   conversamos, conversamos, conversamos. Fui  conversar com o líder   supremo, Khamenei. Duas horas de conversa.  Depois fui conversar com o   Ali Larijani (presidente do Parlamento) e  com todos falei da   importância, que eles não poderiam arriscar o  bloqueio.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Por que, presidente?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Porque o bloqueio começa sem dor, mas daqui    a pouco começa a faltar remédio, começa a faltar comida. E quem paga o    preço são as crianças. Contei que Cuba viveu 50 anos, que a Líbia   viveu  13 anos com bloqueio. Eu conversei tudo o que poderia conversar   com  eles. O Celso Amorim teve um papel extraordinário com os ministros.    Chegou no outro dia às 9h da noite e nós fomos jantar. O Celso não    estava no jantar e estava o ministro deles. Azedou, pensei. Esse aqui (o    ministro Franklin Martins) estava muito pessimista. Na hora que eu  saí   do hotel, ele falou: “não vai dar nada”. E eu: “Calma, rapaz, tem  que   ter fé. A fé que move montanhas.” Eu cheguei lá, estava o ministro    deles, mas não estava o Celso. Pensei que tinha azedado mesmo. Então    disse para o Ahmadinejad: amanhã eu vou embora, sabe que para eu vir    aqui eu larguei a minha mulher e os meus filhos, tenho tarefa pra    caramba no Brasil. Vim aqui porque eu quero para você o que eu quero    para mim. Eu quero que o Irã desenvolva o enriquecimento de urânio para    fins pacíficos, para produzir coisas para a indústria farmacêutica,   para  produzir coisas para a energia nuclear e no meu país isso está na    Constituição. E eu não quero que, por equívoco, o mundo rico, que tem    bomba nuclear, te impeça de fazer isso. Então, na verdade eu vim aqui    para dar as minhas costas para repartir as chibatadas que você está    tomando e não gostaria de ir embora sem assinar esse acordo. Se eu for    embora sem assinar esse acordo, eu vou ter que começar a fazer discurso    dizendo que você não quer negociar mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Depois disso ele resolveu assinar?<br />
</em><strong>Lula </strong>– Ele disse: Vamos conversar amanhã de manhã?    O ministro dele estava comigo e ia encontrar o Celso ainda. O  ministro   dele disse assim para mim: “Presidente, falta só um ponto, eu  vou   encontrar com o Celso agora.” Quando foi meia-noite, eu cheguei  ao hotel   e o Celso me liga: “Presidente, fechamos.” Nós fomos para  acertar o   acordo. Tinha físico para dar palpite, como vocês nem  imaginam. Os caras   não queriam assumir compromisso com data. Eu disse  que sem data nós  não  concordávamos. Eu falei: “Ahmadinejad, vocês  sabem o que falam de  você.  Lá fora na Europa, nos Estados Unidos,  falam que você não cumpre   palavra, você sabe disso. Por isso é  importante colocar a data dizendo   que tal dia você vai mandar tal  coisa”. Ele topou. Qual foi a minha   surpresa, companheiros? É que o  pessoal que estava há não sei quantos   anos tentando conversar com o  Ahmadinejad e nunca conversou, porque   nunca tentou, ficou com ciúmes.  Por isso a reação. Na minha opinião,   essa é a única explicação para a  ciumeira do Conselho de Segurança da   ONU. Nós ainda mandamos para o  grupo de Viena, com Rússia, Estados   Unidos e França, a carta no  domingo, e ainda assim eles tentaram barrar.   Eu acho que a história  vai mostrar o equívoco dos companheiros que   resolveram trocar as  conversas pelas sanções, porque demonstraram apenas   ciúmes. Em minha  opinião, uma atitude pequena. O problema é o  seguinte:  se a ONU  continuar fraca do jeito que está, vai prevalecer o   unilateralismo, a  posição unilateral dos americanos vai continuar   prevalecendo. Quando  nós propusemos fortalecer a ONU, não queríamos só a   entrada do Brasil.  Mas a entrada do Brasil, da Índia, da Alemanha, de   dois ou três  países africanos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>ISTOÉ – Mas uma luta histórica do Brasil é pelo assento definitivo no Conselho de Segurança da ONU.<br />
</em><strong>Lula </strong>– É para que tenha mais representatividade.    Imagine o continente africano com 53 países que não tem ninguém. E    quantos têm os europeus? E agora tem mais a Alemanha, convidada    especial. O Conselho de Segurança da ONU não pode ser um clube de    amigos, não pode ser tratado assim. Aquilo tem que ser uma instituição    multilateral para resolver problema de conflitos. Em minha opinião, no    Oriente Médio não haverá solução enquanto os americanos acharem que  são   eles os responsáveis pela construção da paz. Se a ONU fosse forte,    resolveria o problema do Oriente Médio. Iria lá, demarcaria a terra  dos   palestinos, demarcaria a terra de Israel e faria cumprir, como fez  em   1948, quando criou o Estado de Israel. Como ela é fraca, fica só  lá, um   dia vai um e ganha o Prêmio Nobel, outro dia vai outro e ganha o  Prêmio   Nobel, não faz nada, outro dia vai outro e outro prêmio.  Então, eu  acho  que é uma estupidez política não reformar o Conselho de  Segurança  da  ONU.</p>
<p style="text-align: justify;">A entrevista também está disponível no <a href="http://www.istoe.com.br/reportagens/93604_NINGUEM+VAI+DESTRUIR+MINHA+RELACAO+COM+A+SOCIEDADE+PARTE+1?pathImagens=&amp;path=&amp;actualArea=internalPagehttp://www.istoe.com.br/reportagens/93604_NINGUEM+VAI+DESTRUIR+MINHA+RELACAO+COM+A+SOCIEDADE+PARTE+1?pathImagens=&amp;path=&amp;actualArea=internalPage"  target="_blank">site da ISTOÉ.</a></p>
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		<title>DEMOCRACIA, NOSSO BEM MAIOR</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Aug 2010 21:28:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo Semanal]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>

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		<description><![CDATA[Na América Latina a luta pela democracia se confunde com a vida de nossa gente. São milhões de homens e de mulheres que se doaram ao longo dos anos na incessante tarefa de consolidar as instituições do jovem e riquíssimo continente]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><em>Delúbio Soares (*)</em></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em><br />
</em></strong></p>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>“A democracia cura, alimenta, educa e salva”</em></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Ulysses Guimarães</em></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em><br />
</em></strong></p>
<p>Na  definição milenar, democracia é o governo do povo, para o povo e pelo  povo. Desde a Grécia antiga, quando em praça pública os cidadãos se  reuniam para debater os problemas da cidade e traçar seu destino, ela  tem prevalecido como a mais refinada e ao mesmo tempo, paradoxalmente, a  mais simples das formas de governo. Talvez aí esteja, em sua sutil  equação, o mistério da longevidade do melhor dos regimes políticos  concebidos pelo homem.</p>
<p>A  democracia, porém, tem custado caro aos que lutam por ela e aos que  crêem na perenidade de seus valores. Em todo o mundo a embate entre o  bem e o mal pode ser representado entre os que acreditam na pluralidade  democrática e os que insistem em subjugar os povos através de regimes de  força, tanto na ditadura política pura e simples, marcada pela  violência e o autoritarismo, quanto na cruel dominação do processo  econômico selvagem, num capitalismo que nunca oferece oportunidades.</p>
<p>Quantos  e quantos foram os golpes de estado e retrocessos institucionais que  atrasaram processos de evolução política, social e econômica de países  de todos os continentes? Centenas! A África, jóia da humanidade em  recursos minerais, em beleza natural e riqueza humana, suportou séculos  de dominação colonial, desumana exploração econômica, cruentas guerras  de libertação e, depois de décadas de conturbados processos políticos  regionais, agora parece despontar como terra fértil para a disseminação  da democracia e da pluralidade de pensamento, amparada por  desenvolvimento notável de sua economia, especialmente nos países da  franja austral (Angola, Namíbia, África do Sul e Moçambique), além da  Nigéria, Quênia, Tanzânia e outros. Eles tanto souberam aproveitar suas  potencialidades naturais (turismo, petróleo, mineração) quanto tiveram a  sensibilidade de atrair capitais de todo o mundo, notadamente  asiáticos, para financiar o progresso econômico e social, e daí para o  fortalecimento de regimes democráticos como o da África do Sul, como  para governos socialistas e que operam com grande sucesso processos de  abertura democrática e eleições livres, foi um passo.</p>
<p>Na  América Latina a luta pela democracia se confunde com a vida de nossa  gente. São milhões de homens e de mulheres que se doaram ao longo dos  anos na incessante tarefa de consolidar as instituições do jovem e  riquíssimo continente, a que os colonizadores espanhóis e portugueses,  com imensa acuidade, chamaram “o novo mundo”. De Simon Bolívar a San  Martin, de Sucre a O’Higgins, de Artigas a Lopez, de Tiradentes a Pedro  I, com todos os próceres, eternizados em bronze nas praças das capitais  latino-americanas, e  nas revoltas populares vivas no  coração popular e na memória do tempo, a luta pela libertação antecedeu  às batalhas pela democracia. Essas foram obras posteriores, mas, não  menos duras, trabalhosas, sofridas e heróicas.</p>
<p>Libertados  os países latino-americanos do julgo do dominador europeu, vieram os  conflitos internos na luta pelo poder. Caudilhos, ditadores, líderes  carismáticos, lideranças revolucionárias e simples representantes das  elites locais ou do capital mais descomprometido, se alternaram em  governos efêmeros, regimes fugazes, marcados pela improvisação ou  responsáveis por mudanças tão profundas que causaram rupturas  traumáticas e, portanto, inaceitáveis para as grandes potências que  mantinham influência decisiva na região.  Mas, por detrás  de todos os conflitos, de todos os interesses políticos, partidários,  sociais e econômicos em jogo, no fundo existia a luta entre os que  acreditavam e os que empreendiam cego combate à democracia.</p>
<p>Hoje,  num continente marcado por episódios de esquecimento impossível, como a  crise institucional que nos levou ao suicídio de Getúlio Vargas, a  traumática deposição e morte de Salvador Allende, as ditaduras militares  assassinas na Argentina, Chile e Uruguai, o autogolpe de Fujimori e sua  década autoritária no Peru, a democracia é o maior e mais valioso dos  bens da cidadania continental. São milhares de mortos e desaparecidos,  histórias deploráveis de abusos aos direitos humanos e revelações de  torturas medievais a homens, mulheres e até crianças. Foi esse o preço, o  altíssimo preço, que pagamos para que hoje vivêssemos em plenitude  democrática, sob a proteção do regime das liberdades individuais e do  respeito ao Estado de Direito.</p>
<p>O  Brasil fez opção clara e firme pelo regime democrático. Dele não mais  iremos nos separar. Existe um elo forte e seguro, inquebrantável e  indissolúvel, lastreado pelo voto popular que elege, pelo Congresso  Nacional que legisla soberano, pelo Poder Judiciário que não recebe  ingerências e cumpre com sua missão constitucional, e o presidente da  República que é o guardião maior desse sistema perfeito, harmônico,  insubstituível.</p>
<p>O  presidente Lula tem dado uma lição de comportamento democrático  irretocável, presidindo o país sem rasgos de autoritarismo, olhando por  todos, priorizando a questão social, não discriminando as classes,  mantendo com o empresariado uma relação de cordialidade e parceria; com a  imprensa, uma relação de imensa e respeitosa tolerância; com os  adversários, uma relação onde o confronto político não impediu a  civilidade no trato. Lula, um humanista, é a encarnação da democracia em  nosso país.</p>
<p>Sofremos  muito e sabemos o valor da liberdade e o preço alto da democracia.  Freqüentamos os cárceres da ditadura. Os que sairam vivos puderam ir às  ruas na campanha das “Diretas, Já!” e lutar pelo Brasil redemocratizado.  Muitos morreram pela liberdade e pela democracia. Nós viveremos e  lutaremos por elas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong><em>(*) Delúbio Soares é professor</em></strong></p>
<p><a href="http://www.delubio.com.br/"  target="_blank">www.delubio.com.br</a></p>
<p><a href="http://www.twitter.com/delubiosoares"  target="_blank">www.twitter.com/delubiosoares</a></p>
<p><a href="mailto:companheirodelubio@gmail.com" target="_blank">companheirodelubio@gmail.com</a></p>
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		<title>O medo invade a campanha</title>
		<link>http://delubio.com.br/blog/2010/07/o-medo-invade-a-campanha/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 15:59:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[campanha]]></category>
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		<category><![CDATA[politica 2010]]></category>

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		<description><![CDATA[O comando da campanha de José Serra (PSDB) colocou o medo no centro da disputa presidencial. Tudo começou com a surpreendente entrevista do vice de Serra, Indio da Costa (DEM), dizendo a um site do partido que o PT é ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e ao narcotráfico. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>PSDB recorre a velhos fantasmas e tenta assustar o eleitor ao vincular o PT a grupos terroristas e ao crime organizado</h3>
<p>Alan Rodrigues e Sérgio Pardellas</p>
<div id="divCompleta">
<p style="text-align: center;"><img title="Credito: " src="http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_2442059892514456.jpg" alt="chamada.jpg" /><br />
<strong>PARCERIA<br />
Serra e Indio da Costa planejaram ataques </strong></p>
<p><img title="Credito: " src="http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_2428387370913165.jpg" alt="selo.jpg" /></p>
<p style="text-align: justify;">O comando da campanha de José Serra (PSDB)  colocou o medo no centro da disputa presidencial. Tudo começou com a  surpreendente entrevista do vice de Serra, Indio da Costa (DEM), dizendo  a um site do partido que o PT é ligado às Forças Armadas  Revolucionárias da Colômbia (Farc) e ao narcotráfico. Num primeiro  momento, lideranças partidárias passaram a ideia de que Indio era apenas  uma voz isolada – além de descontrolada e inconsequente. Aos poucos,  porém, foi ficando claro que ele cumpria um script previamente  combinado. Muito bem orientado pelos caciques do PSDB e DEM, o vice de  Serra servia de ponta de lança para uma estratégia de campanha: o uso da  velha e surrada tática do medo. Ele procurava criar fantasmas na cabeça  do eleitor para tirar votos da candidata petista à Presidência, Dilma  Rousseff.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Credito: " src="http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_2428410969048082.jpg" alt="G_medo_Braasil.jpg" width="628" height="407" /></p>
<p style="text-align: justify;">A tática do medo, por definição,  desqualifica o debate político. Quem a utiliza está disposto a trabalhar  não com a razão, mas com sentimentos mais primários e difusos. Recorre a  argumentos distantes de qualquer racionalidade para tentar encantar um  público mais desinformado ou que já coleciona arraigados preconceitos. É  um jogo perigoso: “Campanhas negativas podem até aumentar a rejeição ao  candidato que as patrocina”, diz o cientista político José Paulo  Martins Jr., da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.  Mas os tucanos resolveram arriscar.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Credito: " src="http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_2428479869967318.jpg" alt="img3.jpg" width="281" height="400" /><br />
<strong>ACUSAÇÕES<br />
Tasso Jereissati diz que Lula é “chavista”</strong></p>
<p>Apesar das reações provocadas pelas  declarações de Indio da Costa (o TSE já concedeu até direito de resposta  ao PT), expoentes do PSDB e o próprio Serra não desautorizaram o  deputado do DEM. Ao contrário, passaram a engrossar o vale-tudo  eleitoral. Animado, Indio voltou à carga, insinuando uma relação entre o  PT e uma facção criminosa do Rio. “Já há vários indícios de ligação do  Comando Vermelho com as Farc. E qual a opinião da Dilma sobre isso? Veja  só: o PT e as Farc, as Farc e o narcotráfico, o narcotráfico, o Rio de  Janeiro e o Comando Vermelho, com indícios muito claros de  relacionamento. Ela (Dilma) tem que dizer o que acha”, afirma. Na quinta  feira 22, foi o próprio Serra quem assumiu a estridente toada: “Há  evidências mais do que suficientes do que são as Farc. São  sequestradores, cortam as cabeças de gente, são terroristas. E foram  abrigados aqui no Brasil. A Dilma até nomeou a mulher de um deles.”  Desta vez, o tom do discurso escandalizou os adversários. “Fui  surpreendido com a decisão de Serra de entrar nesse debate. Pelo jeito,  ele resolveu dar uma guinada para a direita ao perceber que não deu  certo o estilo ‘Serrinha paz e amor’. Serra, agora, resolveu ser  troglodita”, disse o líder do governo na Câmara e um dos coordenadores  da campanha de Dilma, Cândido Vaccarezza (PT-SP). “Não adianta o kit  baixaria do Serra: o povo quer saber é de propostas e de trajetória”,  afirmou o deputado petista Ricardo Berzoini.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Credito: " src="http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_2428452762809102.jpg" alt="img1.jpg" width="450" height="314" /><br />
<strong>ALVO<br />
Tucanos querem irritar Dilmae cobram resposta</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A tentativa do PSDB de criar uma atmosfera  de satanização do PT e de sua candidata ao Planalto, Dilma Rousseff, é  inteiramente planejada, ao contrário do que poderia parecer. Segundo  apurou ISTOÉ, pesquisas qualitativas em poder da coordenação da campanha  tucana identificaram que setores do eleitorado brasileiro ainda teriam  restrições à “turma ligada ao Lula”. Na enquete realizada pela coligação  PSDB-DEM abrangendo as regiões Sul, Sudeste e Nordeste (70% do  eleitorado nacional), chegou-se à conclusão de que a imagem de Lula é a  mais próxima do chamado “político ideal”. Diante desse quadro, a  pesquisa, focando o eleitor das classes B e C, de 25 a 50 anos, tentou  filtrar o que, para a população, haveria de bom e ruim no governo  petista. Lula foi considerado “quase acima do bem e do mal”, conforme  informou à ISTOÉ um dirigente tucano que teve acesso aos números. Porém,  em seis pesquisas, quando consultados sobre temas espinhosos como  radicalismo e corrupção, os eleitores invariavelmente apontavam a culpa  para setores “em torno” de Lula. A turma é que não seria boa.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Credito: " src="http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_2428500063410504.jpg" alt="img4.jpg" width="640" height="167" /></p>
<p style="text-align: justify;">A constatação animou os tucanos a investir  contra o PT. Nas próximas semanas, entre os novos temas a serem  abordados estão a relação dos petistas com Hugo Chávez e a defesa que  fazem do terrorista Cesare Battisti. Mas, no embalo, sobrará até para o  próprio Lula, como demonstrou, na quarta-feira 21, o senador Tasso  Jereissati (PSDB-CE): “Lula é chavista”, disse o líder tucano. “Ele  pretende fazer aqui neste país uma ditadura populista, em que vai se  cerceando os espaços de todo mundo e ficando só o seu espaço de poder.”  Para Jereissati, a questão não tem a ver com a alta popularidade de  Lula. “Chávez também é muito popular. Outros ditadores também foram  muito populares. O problema é que neste governo a política é de  eliminação de todo e qualquer adversário”, disse.</p>
<p style="text-align: justify;">Um retrospecto histórico mostra, no  entanto, que a tática do medo, colocada em curso pela campanha tucana,  funcionou na volta do País à democracia, mas não tem dado certo num  Brasil mais maduro. Levado a cabo nessas eleições, o vale-tudo eleitoral  pode, mais uma vez, significar o suicídio da campanha tucana. Em 2002,  por exemplo, o próprio Serra, então candidato de Fernando Henrique  Cardoso ao Palácio do Planalto, lançou mão do medo como artifício:  “Existe o PT real e o PT da tevê”, disse ele no horário eleitoral. “É  muito importante debater as invasões ilegais e as ligações com as Farc.  Isso não aparece na tevê, mas é um lado do PT”, acrescentou o tucano,  que estava em baixa nas pesquisas. Por causa dos ataques, o PSDB perdeu  um minuto e meio de seu tempo na tevê. E o resultado, todos sabem: Lula  venceu a eleição e já está há quase oito anos no poder, registrando  índices recorde de popularidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A retórica do medo não costuma ter a  capacidade de reverter votos, segundo o consultor político e professor  da USP Gaudêncio Torquato. “O terrorismo linguístico que começa a subir a  montanha não chega perto das massas. Apenas reforça posições de camadas  já sedimentadas”, disse ele à ISTOÉ. “Não é novidade utilizar-se da  tática eleitoral do medo. O que aconteceu é que Indio cumpriu um papel  que lhe deram: o de tocar o apito.” Para Torquato, Indio executou a  missão atribuída a ele pela cúpula de campanha do PSDB. “Assim,  preservaria Serra da acidez”, acredita. Ainda de acordo com o consultor  político, esse tensionamento “já era bastante previsível” e teria outras  duas finalidades: a de apresentar o candidato a vice na chapa tucana ao  País e tentar enervar a candidata do PT, Dilma Rousseff. “Ao mesmo  tempo que eles dão uma estocada, a campanha o apresenta, já que ninguém o  conhece. Também criam a polaridade que a campanha do PSDB precisa e  tentam tirar Dilma do sério”, afirma Torquato.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Credito: " src="http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_2428464682451165.jpg" alt="img2.jpg" width="350" height="359" /><br />
<strong>PASSADO<br />
Virgílio, do PSDB, também recebeu as Farc</strong></p>
<p style="text-align: justify;">“Discutimos fatos de conhecimento público.  Todo mundo sabe da relação do PT com as Farc e todos sabem que as Farc  têm relação com o narcotráfico”, insiste o presidente nacional do PSDB,  Sérgio Guerra (PE). Anos atrás, o PSDB utilizou-se até das denúncias de  que a guerrilha colombiana havia repassado US$ 5 milhões para campanhas  eleitorais petistas, o que nunca foi comprovado. Mas, fora as fantasias,  o que há de real entre o PT e as Farc? Para responder a essa pergunta, é  preciso voltar ao ano de 1990. Com a dissolução da União Soviética, a  esquerda mundial estava desamparada. Na América Latina, por sugestão de  Fidel Castro, Lula acabou propondo a criação do Foro de São Paulo, a fim  de aglutinar partidos, sindicatos e organizações de esquerda. As Farc  integraram esse movimento, embora na ocasião ainda não se conhecessem  vínculos dela com o narcotráfico. Daí para a frente, a guerrilha sempre  participou das reuniões do Foro e recebeu o apoio político de seus  membros. O PT chegou a cultivar relações com representantes das Farc,  principalmente com o ex-padre Olivério Medina.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, desde que Lula chegou ao  governo, em 2003, o PT tratou de se distanciar do movimento. Em 2005,  como revelaram e-mails de dirigentes das Farc, a guerrilha foi impedida  de participar da reunião que comemorou o aniversário de 15 anos do Foro  de São Paulo e que contou com a presença de Lula. Em 2008, ocasião da  libertação da ex-senadora colombiana Ingrid Betancourt, Lula condenou  publicamente a guerrilha. “A grande chance que as Farc têm de um dia  governar a Colômbia é acreditar na democracia, na militância política. É  fazer o jogo democrático como fizemos aqui. Não se ganha eleição  sequestrando pessoas”, disse.</p>
<p style="text-align: justify;">Levando-se em conta a lógica controversa  que vem sendo usada na campanha de Serra, o próprio líder do PSDB no  Senado, Arthur Virgílio (AM), seria também ligado à guerrilha  colombiana. Em 1999, Virgílio não apenas recebeu o então representante  das Farc no Brasil, Hernán Ramirez, em seu gabinete, como foi  considerado pelo grupo um dos principais interlocutores da guerrilha no  País. À época, Virgílio era secretário-geral do PSDB e líder do governo  FHC no Congresso. No mesmo ano, Ramirez visitou também o então  governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT). Um dos objetivos dos  encontros era abrir um escritório das Farc em Brasília. Mas a ideia não  prosperou. Ela só voltou a prosperar agora no discurso atropelado do  PSDB.<br />
Colaboraram: Claudio Dantas Sequeira e Fabiana Guedes</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Credito: " src="http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_2428428345948018.jpg" alt="G_medo_Mundo.jpg" width="640" height="335" /></p>
<p>Postado originalmente em <a href="http://www.istoe.com.br/reportagens/90267_O+MEDO+INVADE+A+CAMPANHA"  target="_blank">ISTOÉ Independente.</a></p>
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		<title>A histórica entrevista de Lula ao Jornal da Record</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 22:10:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Entrevista exclusiva que o Predidente Lula consedeu a TV Record dia 21 de Julho de 2010.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ALL7nbjl0RE&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/ALL7nbjl0RE&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></center></p>
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		<title>13 razões para votar em Dilma</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 20:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Eleições 2010]]></category>
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		<description><![CDATA[Dilma quer o Brasil assim: forte, independente e cada vez mais admirado aqui e lá fora.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ff0000;"><strong>1. Fim da miséria</strong></span> – Com Lula, 31 milhões de pessoas entraram para a classe média e 24 milhões saíram da pobreza absoluta. Dilma vai aprofundar esse caminho e acabar com a miséria no país.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">2. Mais empregos</span></strong> – O Brasil nunca gerou tantos empregos como agora. <a href="http://www.dilma13.com.br" title="Dilma 13"  target="_blank">Dilma</a> – que coordenou o PAC e o Minha Casa, Minha Vida, programas que levam obras e empregos a todo o país – é a garantia de que o mercado de trabalho vai continuar crescendo para todos.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">3. Mais reajustes salariais</span></strong> – Com Lula, o salário mínimo sempre teve reajustes bem acima da inflação e houve aumento da massa salarial em geral. Dilma vai manter e aperfeiçoar essa política que tem ajudado a melhorar a vida de tanta gente.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">4. Mais bolsa família</span></strong> – Agora, todos os candidatos falam bem do Bolsa Família, mas o brasileiro sabe: só Dilma garante o fortalecimento desse e de outros programas sociais criados por Lula.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">5. Mais educação</span></strong> – Lula criou o ProUni, mais universidades e escolas técnicas do que qualquer outro governo. Dilma vai seguir abrindo as portas da educação para todos. Com ela, não haverá um único município brasileiro, a partir de 40 mil habitantes, que não tenha Escola Técnica.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">6. Mais saúde</span></strong> – Lula ampliou o Saúde da Família, criou o Samu 192, as Farmácias Populares e o Brasil Sorridente. Dilma já garantiu: vai criar 500 Unidades de Pronto Atendimento – as UPAs 24 horas. E 8.600 novas Unidades Básicas de Saúde – as UBS.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">7. Mais segurança </span></strong>– Lula está fazendo um investimento inédito na segurança, com o Pronasci, que tem, entre suas prioridades, o policiamento comunitário, a inclusão do jovem e a parceria com a sociedade. Dilma vai ampliar essa ação, usando como modelo as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que estão livrando várias comunidades do Rio de Janeiro do domínio do tráfico.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">8. Mais combate ao crack</span></strong> – Dilma vai combater essa praga com autoridade, carinho e apoio. Apoio para impedir que mais jovens caiam nessa armadilha fatal. Carinho para cuidar dos que precisam se libertar do vício. E autoridade para combater e derrotar os traficantes, estejam onde estiverem.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">9. Mais creches</span></strong> – Dilma quer garantir mais tranquilidade para as famílias que trabalham e não têm onde deixar os filhos. Por isso, já assumiu o compromisso de construir 6 mil creches e pré-escolas em todo o país.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">10. Mais moradias populares</span></strong> – Juntos, Lula e Dilma criaram o Minha Casa, Minha Vida, que está realizando o sonho da casa própria de muita gente. Dilma vai ampliar o programa, garantindo mais 2 milhões de moradias populares para quem mais precisa.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">11. Mais apoio ao campo</span></strong> – Nossos agricultores nunca tiveram tanto apoio para produzir e crescer na vida. Dilma – que criou o Luz para Todos e beneficiou mais de 11 milhões de brasileiros que vivem no campo – é a certeza de que esse trabalho vai seguir em frente, tanto para o agronegócio como para a agricultura familiar.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">12. Mais crédito</span></strong> – Lula criou o crédito consignado e facilitou o acesso da população a várias linhas de crédito. É por aí que Dilma vai seguir para continuar beneficiando toda a população.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;">13. Mais respeito ao Brasil</span></strong> – Com Lula, o Brasil pagou sua dívida com o FMI e passou a ser um país respeitado em todo o mundo. Dilma quer o Brasil assim: forte, independente e cada vez mais admirado aqui e lá fora.</p>
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