“Conheci Delúbio Soares de Castro quando nos tornamos colegas no Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o Codefat, do qual ele foi, inclusive, presidente. Discordamos, várias vezes, ao votar nesta ou naquela Resolução. Era uma discordândia democrática, ética, limpa.
Aprendi a admirá-lo por causa disso. Ele representava a CUT e eu a Força Sindical num momento histórico diverso do de hoje. As centrais estavam em confronto. Na mesa do Codefat, nada disso valia: valia o interesse público.
Não tenho procuração para defender Delúbio, nem sou do PT, mas minha opinião é que o PT deve aceitá-lo de volta.
Delúbio, na verdade, está sendo acusado por atos que, infelizmente, e isso TODO político sabe, TODO político ou faz ou se omite, para que alguém faça em seu nome. Mas é preciso que se diga o mais importante: Delúbio não é acusado em processo algum de malversar ou desviar um único centavo de dinheiro público. E como presidente do FAT ele geriu bilhões de reais, agindo sempre com honestidade e correção comprovadas pelo Tribunal de Contas da União. Isso, lamentavelmente, é omitido nas acusações que levianamente lhe fazem.
Enquanto não existir financiamento público de campanhas eleitorais ou os eleitores, como nos Estados Unidos, aprenderem a doar diretamente – 10 reais, 20, 50 ou mil, dependendo de suas posses e dos limites legais – as campanhas continuarão tendo o chamado Caixa 2, os recursos não contabilizados.
O mais impoluto senador da República, o mais sério deputado, o mais ínclito governador, o mais puro prefeito, o mais honesto vereador sabe de onde vêm os recursos de suas campanhas: das doações legais e dos caixas mais variados. Quem disser que nunca recebeu alguma coisa de fontes não transparentes que atire a primeira pedra – sem ficar com a consciência intranquila.
Estão todos fora da lei, esta é a verdade. E só estarão totalmente dentro da lei quando a lei mudar para melhor e existir, neste país, candidatos responsáveis e eleitores de fato – cidadãos conscientes de seus direitos e também de seus deveres. Votar não é só um direito a se exercer irresponsavelmente, de quatro em quatro anos. É um dever de cidadão, na busca incessante do melhor dirigente para sua cidade, seu estado e seu país.”
Luiz Fernando Emediato
Jornalista, escritor, consultor político, presidente do CODEFAT




