José Ibrahim

Não devemos ceder ao coro dos tucanos

José Ibrahim parte para o exílio, ao lado de José Dirceu, Flávio Tavares, Vladimir Palmeira, Ricardo Zarattini e outros companheiros.

Delúbio Soares é um companheiro idealista, correto, absolutamente fiel às lutas do PT e do povo brasileiro. Com ele conviví na fundação do PT e aprendi a admirar sua firmeza ideológica e sua grandeza humana. Trata-se de um dos melhores quadros da esquerda brasileira, tanto pelo valor político quanto pela dignidade pessoal. Como professor competente e dedicado, como líder sindical produtivo e disciplinado, como líder partidário de altíssimo gabarito, Delúbio sempre se portou com honradez e coragem. Poucos demonstraram ao longo de nossa história a têmpera e a humildade que sobram nesse companheiro ferido e injustiçado.

Sua expulsão foi um ato autoritário dos então dirigentes do PT, cedendo ao coro da oposição tucana, da direita reacionária e da imprensa sensacionalista, não dando amplo direito de defesa aquele que, ao lado de José Dirceu, construiu as condições necessárias para que Lula chegasse à presidência da República.

Delúbio é um desses companheiros que se esforçam e não raro sofrem pelo partido e pela causa. O PT deve a Delúbio a reparação de um imenso erro político que trás em seu bojo uma demonstração profunda de ingratidão e absurda falta de solidariedade. Ainda bem que os dirigentes do PT nos dias de hoje não são os mesmos que erraram tão feio quando de sua saída.

Nos desvãos da política brasileira, tão fértil em situações complexas e mal explicadas, um homem honesto como Delúbio não pode passar por desonesto. Não há quem melhor entenda de caixa 2 ou desvio de recursos em campanhas do que os tucanos, esses hipócritas que martirizaram Delúbio.

Orgulho-me de sua amizade e tenho absoluta convicção de que a história tratará Delúbio com o respeito que ele merece e ainda lhe é negado.”

José Ibrahim, líder histórico dos trabalhadores de Osasco, liderou a primeira grande greve após o golpe militar de 64. Preso, torturado e banido, ao voltar do exílio no Chile, Panamá, México e França, participou da fundação do PT.