Goiano inventa máquina que liberta quebradeiras de babaçu da escravidão

 
Goiano inventa máquina que liberta quebradeiras de babaçu da escravidão

Ago 15, 2011

Considerado uma praga para muitos fazendeiros, e um trabalho desumano para muitos, a colheira do coco da  palmeira do babaçu é uma atividade que envolve 300 mil famílias. Hoje é tida como atividade extrativista, mas com a mecanização pode se tornar  mais rentável que a soja. O babaçu produz óleo de alto valor agregado, polpa para merenda escolar, palha para indústria alimentícia e carvão vegetal de ótima qualidade. Equipamento desenvolvido por empresário goiano será apresentado na Marcha das Margaridas, que reúne produtores rurais em Brasília nos dias 16 e 17 de agosto e pode ser a redenção para as mulheres do babaçu.

Natural da cidade de Goiás, advogado, empresário, 52 anos, Aurisan Santana Azevedo é um homem bem sucedido, com fazendas em Goiás,  Mato Grosso e Maranhão. Mas tal qual  Barão de Mauá, que sonhou com a industrialização do Brasil escravagista do II Império, Aurisan Santana sonha com o fim da exploração das quebradeiras do babaçu.

A palmeira ocupa 200 mil km2 nos estados do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí. A atividade de extração da amêndoa ocupa 300 mil famílias. As mulheres estão majoritariamente à frente deste trabalho árduo, rústico e estafante. O corte do coco do babaçu é feito de maneira rudimentar: de cócoras, as mulheres batem o coco num machado, com o corte virado para cima. Crianças reforçam a atividade que rende R$ 270,00 para cada mãe de família.

Aurisan acompanha esta sina das quebradeiras há mais de 12 anos, e sempre lhe incomodou o sofrimento das mulheres e, sobretudo, o baixo rendimento das famílias. Há cerca de cinco anos pôs-se no desenvolvimento do que chama “Projeto Curupira”, que consiste na criação de uma mine-usina de beneficiamento do babaçu. Por quê Curupira? Porque Curupira é a entidade que proteje a floresta, explica.

O primeiro protótipo nasceu com ajuda do torneiro mecânico José Edmar. A engenhoca descascava o coco e retirava a amêndoa com certa facilidade, mas havia o desperdício da polpa o chamado mesocarpo do babaçu. Uma nova associação foi feita, desta feita com o engenheiro industrial Sidnei Martins de Sicco, especialista em soluções para indústria de alimentos. Sicco presta serviços às fábricas da Unilerver (antiga Arisco), Assolan e indústrias de atomatados em Goiás e topou o desafio. O resultado foi supreendente: uma máquina que descaroça o babaçu, retirando, separadamente, o EPICARPO, o MESOCARPO e a AMÊNDOA.

O epicarpo ou a palha do babaçu,  é usado na indústria automobilística como fibra para estofamento de bancos. O Mesocarpo ou polpa, é usado na indústria alimentícia, para merenda escolar e é uma das bases de produtos para emagrecimento como o shake da multinacional Herbalife. A amêndoa ou castanha, que contém 65% de óleo, transforma-se em óleo comestível, base para fabricação de glicerina, sabão, cosméticos; sendo que a torta resultante do esmagamento é utilizada na ração animal. O côco, composto de 80% de carbono é tido como um dos melhores carvões vegetais do planeta.

Um protótipo da máquina de beneficiar o babaçu será apresentado  durante a “Marcha das Margaridas”, que acontece nos dias 16 e 17 em Brasília. Considerada uma das principais mobilizações do sindicalismo rural brasileiro e do movimento das mulheres, a marcha vai ocupar a Esplanada dos Ministérios. “É uma oportunidade para o Governo da presidenta Dilma Roussef e o movimento social tomarem conhecimento de um projeto, que se bem gerido pela União, Estados e Municípios, representa o espírito do slogan do governo federal: País rico é país sem miséria”. Este equipamento, utilizado em cooperativas pelas quebradeiras pode ser a redenção de milhares de mulheres do babaçu”, afiança Aurivan.

A mini-usina de processamento, que é tocado por um motor Chevrolet 4/100, conta com uma unidade de biodiesel, esteira para lavagem e esterilização do babaçu, camara de corte do côco, unidade de descaroçamento da palha e separação das amêndoas e a unidade de esmagamento para retirada do óleo e torta do farelo da amêndoa. O protótipo está orçado em R$ 700 mil, mas Aurisan Santana acredita que num processo industrial cada unidade deve ser comercializada por cerca de R$ 400 mil.

Revolução econômica
A máquina do Projeto Curupira foi pensada para ser utilizada no campo, nos babaçuais. Para isto ela não utiliza eletricidade, gasolina ou óleo diesel. Seu combustível é o próprio côco do babaçu, num processo que foi inventado à época da Segunda Guerra Mundial, no Governo Vargas: o motor a explosão movido a gasogênio. “A idéia é que as mulheres do babaçu tenham autonomia total. A máquina será instalada no próprio babaçual com autonomia plena: a matéria-prima que elas recolhem será também o combustível para tocar o empreendimento”, diz.

Para se ter uma idéia do que representa o processo de beneficamento, alguns números são importantes. A castanha ou amêndoa é vendida entre R$ 0,80 a R$0,90. Uma quebradeira, com exímia perícia, consegue processar 10 kg/dia, ou seja R$ 9,00/dia, R$ 270/mês (considerando o trabalho de 30 dias). O equipamento desenvolvido por Aurisan/Sicco, garante o processamento de 6.000 kg/dia, ou seja R$ 5.400,00 ou R$ 162.000,00/mês. Este modelo, explica, é aplicado para uma cooperativa de 40 quebradeiras. “Assim, trabalhando juntas as quebradeiras podem sair de uma renda mensal de R$ 270,00/mês para algo em torno de R$ 3.400/mês”, sustenta.

Levando-se em conta que o processo artesanal desperdiça a polpa (epicarpo), o mesocarpo (palha) e o próprio coco, o ganho pode ser ainda maior. “A Conab paga R$ 6,00 pelo quilo do mesocarpo”, lembra.

Babaçu é superior à soja
A cultura do babaçu pode suplantar em ganhos diretos a cultura da soja que começa a se implantar no Maranhão e sul do Piauí. Façamos as contas. Há 14 milhões de hectares nativos de babaçu nesta região. Um hectare de soja rende 50 sacas de 50 kg, pagaas R$ 40,00 cada, totalizando um ganho bruto de R$ 2.000,00/hectare. Um hectare de babaçu contém entre 150 a 180 palmeiras, que produzem 30 mil kg de cocos. Cada côco de babaçu contém 23% de mesocarpo, ou seja, 6.900 kg/ha, ao preço de R$ 6,00/kg, totalizando um ganho bruto de R$ 36.000,00/ha.  A comercialização da amêndoa, da fibra e do côco beneficiado multplicam ainda mais o ganho do produtor. Um litro de óleo, que é vendido a R$ 5,00, pode ser obtido com 2 kg de amêndoas.

Boing se interessa pelo querosene de babaçu
Em 23 de outubro de 1984, dia do Aviador, foi registrado o primeiro vôo propelido a Prosene, nome conferido ao bioquerosene feito a partir do óleo de babaçu. Foram queimados mais de 10 mil litros de combustível nas turbinas do Centro Tecnológico de Aeronáutica (CTA), em São José dos Campos (SP), até que o produto final fosse obtido. Naquele dia, um avião Bandeirante, de fabricação brasileira, levantou vôo em São José dos Campos (SP) com destino a Brasília (DF), onde foi recebido com pompa oficial pelo então presidente da República, João Baptista Figueiredo e pelo ministro da Aeronáutica.

Desenvolvido há mais de 20 anos, o bioquerosene brasileiro só agora chama a atenção mundial. No final da década de 1970, o então professor da Universidade Federal do Ceará, Parente desenvolveu o processo de obtenção do biodiesel do babaçu através de uma reação química chamada transesterificação. A recente preocupação com o efeito estufa levou ao estabelecimento de uma parceria entre Brasil e a Boeing, maior fabricante de aviões do planeta.  A empresa firmou um acordo no final de 2006 com o criador do querosene de origem vegetal, o engenheiro químico Expedito Parente, que atualmente dirige a Tecbio, empresa co-fundada por ele, que implanta usinas de biodiesel e dá consultoria técnica para o setor. Durante um ano, a Tecbio fornecerá o combustível que será testado nas turbinas da multinacional, sediada em Seattle, Estados Unidos. O acordo ainda inclui a participação da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Com informações do Uniemp (link: http://migre.me/5tTBe)
Documentário “Mulheres do Babaçu” (http://www.youtube.com/watch?v=jrfWwNXNrG0)

FONTE: BLOG DO MARCUS VINÍCIUS

3 comentários

  1. WILLIAM BARBOSA FILHO /

    “VAMOS BRASIL” , PRECISAMOS DE HOMENS COM ESSE TIPO DE EMPREENDORIMO E DEDICACAO , PARABENS PELA INICIATIVA QUE OS OLHOS DE NOSSOS DIRIGENTES ESTEJAM ABERTOS!!!SUCESSO PARA TODOS ENVOLVIDOS.

  2. Queria saber se esta maquina ja estar a venda?

    Elias

  3. Willis Meriguete /

    Como posso obter mais informações sobre o processo, e como posso obter a linha de beneficiamento.

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