Delúbio Soares (*)
“A elite do Brasil é o seu povo”
Santiago Dantas
No momento em que o Brasil se reencontra com seu destino de grandeza e vive um dos melhores momentos da nacionalidade, com o resgate de sua auto-estima e a superação de problemas que afligiram nosso povo por séculos, é bom registrar algumas impressões sem o receio de parecer ufanista ou distante da realidade.
Poucos foram os povos que conseguiram realizar transições políticas tão radicais e mudanças sociais tão profundas sem traumas ou conflitos. O brasileiro é um deles. Para muito além do “homem cordial”, identificado pelo talento de um de nossos mais brilhantes intelectuais, Sérgio Buarque de Hollanda, meu companheiro na fundação do Partido dos Trabalhadores, existe, também, um homem cosmopolita e dotado de um humanismo invejável.
Onde povos se perderam em conflitos estéreis e tingiram de sangue suas histórias pátrias, nós nos reencontramos em concertações políticas, eleições democráticas, Assembléias Constituintes, transições pacíficas do autoritarismo para a democracia. Onde países perderam anos ou décadas envoltos em guerras civis, nós fomos construindo o futuro. Tivemos interregnos, é verdade. Purgamos ditaduras, suportamos presidentes sem voto, conhecemos a brutalidade de regimes de exceção. Mas o Brasil, em verdade, nunca saiu menor ou retrocedeu em sua história. Nem sempre por obra de governantes, com as honrosas exceções de praxe (Getúlio em seu governo democrático, JK em seu furacão desenvolvimentista e Lula no comando de uma revolução social e econômica que transformou a face do país), mas por ação do agente principal de nossa história: o brasileiro.
Fico a me perguntar em que outro recanto do mundo um povo abre os braços com tanto carinho e solidariedade recebe nossos irmãos judeus e árabes, japoneses e espanhóis, italianos e chineses, coreanos e russos, ucranianos e poloneses, e constrói esse país fraterno e pluralista? É raro. E, talvez, como no Brasil, em mais nenhum.
Qual país tem em sua formação racial componentes tão múltiplos, tão nobres, tão belos, onde fatores históricos uniram o colonizador europeu, o índio, o negro, o emigrante, e dessa junção de raças, credos, idiomas, culturas, surgiu um povo no qual os traços mais evidentes são a alegria, o talento, a garra, a bondade e um profundo sentimento de solidariedade e respeito aos seus semelhantes? Se outras riquezas não tivéssemos em nosso território continental e abençoado, essa já nos bastaria para justificar o sucesso que se projeta em nossa vida nacional.
Foi essa força que vem do povo, das raízes de nossa gente, do Brasil profundo, das entranhas de uma Nação que se recusa a não cumprir senão o seu destino de grandeza e protagonismo no concerto das grandes Nações do mundo, que impulsionou o Brasil e o recuperou em menos de sete anos do extraordinário governo do presidente Lula. Não houve mágicas, nem milagres. Um avatar escolhido pelo destino não nos salvou. Foi o Brasil que se salvou a si mesmo, ao buscar em sua formação histórica, na fortaleza de seu povo e na dignidade de sua gente, a solução de seus problemas. O Brasil deixou de pedir licença para ser o grande país que sempre foi, mas que se recusava a assumir perante o mundo a defesa de seus direitos. Recusamo-nos a continuar como país de segunda classe ou republiqueta desprezível. Ao invés de um chanceler tirando os sapatos para ser revistado num aeroporto norte-americano, como no governo de FHC, vimos o presidente dos Estados Unidos celebrando as qualidades pessoais do presidente Lula: “Ele é o cara!”
Somente um povo iluminado poderia operar uma transição entre o autoritarismo político e a democracia plena sem uma gota de sangue. Somente um povo extraordinário conseguiria realizar a proeza de levar um líder como Lula ao poder e dar-lhe a necessária sustentação e apoio para que ele realizasse as reformas profundas no tecido social e econômico de um país que se encontrava a beira do colapso, após três quebras consecutivas, desacreditado perante o mundo e sem auto-estima alguma.
Sinto imenso orgulho do Brasil e dos brasileiros no momento em que nossa economia vive o seu melhor momento e os mercados se abrem para o Brasil. Faz poucos dias o nosso PIB ultrapassou o da Espanha e já somos a oitava economia mundial. Estamos, portanto, a um passo do G7 e poderemos nos sentar entre as maiores potências mundiais para decidir questões fundamentais para a economia, o meio-ambiente, a paz do planeta. Não será nenhum favor, mas o reconhecimento de uma conquista do povo que resolveu assumir o papel que lhe estava destinado faz décadas, talvez séculos.
Esse povo não está olhando para trás. Está olhando para muito além do futuro próximo. Os brasileiros estão vendo algo que parte da elite dirigente, a classe política, a grande imprensa ainda não viu. O povo, por intuição divina ou pelo sofrimento que o dota de imensa clarividência (ou pelos dois), vê mais e vê antes. Por isso, faz a história.
(*) Delúbio Soares é professor




Boa tarde, minha cunhada Rai e o companheiro Delubio!
Agradeço e envio do texto em anexo, que nos faz refletir sobre o nosso protagonismo como povo brasileiro, que alguns tentam nós fazer de um povo sem memória e sem tradição de luta por melhores dias e uma solidariedade meramente comercial.
Tenho alguns pequenos reparos ao texto do Delubio, que este último período vem desde a vítoria nossa da Constituição Federal de 1988, onde tivemos milhões de participantes assinando as emendas populares, que trouxeram novos direitos (saúde, ECA, Ambiental, Progressividade dos Impostos, Comunicação entre outros), que infelizmente elles procuraram inviabilizar ou boicotaram (não esqueço que no primeiro discurso de posse FHC, disse que vinha para desconstitucionalizar o Brasil, foi muito franco).
Mas meus reparo no texto é quando diz que não ocorreu sangue é só lembrar dos inumeros lideres camponeses e índios, dirigentes sindicais e partidários (no Pará bom exemplo foi o Paulo Fonteles) assasinados desde 88.
Solicito ser incluído na lista para receber os textos do Delubio.
Um fraternal abraço.
Waldemar Azevedo
“A falsidade central deste modelo reside no fato de que o poder econômico é o mesmo que o poder político. O único antidóto para reverter esse mau funcionamento da democracia é construir uma sociedade crítica que não se limite a aceitar as coisas pelo que elas parecem ser e depois não são mas se faça perguntas e diga não sempre que for preciso dizer não. Para isso, é urgente voltar à filosofia e a reflexão.” José Saramago (1922-2010).
Mais uma vez parabéns á você, ao Brasil e ao valoroso povo brasileiro.
Bom final de semana.
Abração
Nelson
Sinto também, um imenso orgulho de ter nascido e criado em um país tão abundante em extensão territorial, natureza, cultura e respeito por nossos irmãos estrangeiros. Somos mais que um País Emergente. Somos lutadores pacíficos que não desistimos de nosso sonhos. Até quem já foi revoltado contra o sistema hoje sente honrado com o Presidente e suas vitórias políticas, econômicas e sociais. Parabéns ao Presidente Lula e que a nova administração nacional nos leve ao tão falado G-7. E que bons escritores iguais a você estejam presentes para relatar tais feitos. Bom fim de semana. Renato Sousa.
Caro amigo;
Mais uma vez concordo com suas abordagens, principalmente no que diz respeito a formação do povo brasileiro e no lugar a ser ocupado, por conquista, do nosso querido BRASIL no desenho do futuro das nações; pela pujança e potencial de sua economia e pela indole de seu povo na construção de condições mais iguais entre as NAÇÕES.
Receba mais uma vez meus cumprimentos.
Sérgio Braga
Boa noite caro amigo,parabens pela matéria, você eu sua esposa somos testemunha de tudo, sabemos quanta sola de sapato
gastamos, enquanto eles posavam de bons moços. Delubio o brasil é e pode muito mais, faça sua parte aqui no rio dia 29/08
estaremos na av. atlantica com todas as forças, sinta-se convidado. Um forte abraço na Sra monica.
AMIGO e COMPANHEIRO DELUBIO. estou retransmitido seus artigos aos amigos companheiros. para deliciar-se de boas leituras.
abração.
at..
Bravo!!!
Companheiro Delúbio!
Se é clarevidência ou não, agora o Lula deixou de ser um fenômeno eleitorial e entra para a História como um grande estadista e estrategista de gente! Do Brasil e do Mundo – Um grande viva aos grandes homens e mulheres que serviram de tijolos para a construção da maior Revolução democrática de toda América Latina!
À festa que será a maior de todas, sem falsa modéstia, já poderiamos ir para as ruas hoje!
Lembro-me de uma frase do Ziraldo numa palestra para crianças que o Brasil! deveria ser escrito assim com uma exclamação no final. BRASIL!
Abraço forte!
delúubio, daqui há pouco vc terá publucar um livro com a coletânea: “Artigos do Companheiro Delúbio Soares”…
Parabéns.
Mais uma vez parabéns á você, ao Brasil e ao valoroso povo brasileiro.
Bom final de semana.
Abração
Brasil, é dos brasileiros, brasileiros como LULA e como meu pai que criou e estudou seus filhos e netos com uma renda de um salario minino. Meu pai josé, predeiro, carpinteiro e vendedor ambulante. Homem que me orgulha, o Brasil é nosso e não da impresa.
Tenho orgulho de ser Petista, e ver que meus sobrinhos fizeram uma faculdade graça a este homem LULA… è isto DILMA.. MERCADANTE…. E MARCOS AURELIO DEPUTADO ESTADUAL EM JACAREI