(*) Delúbio Soares
Visão equivocada da realidade é crer que a redução da jornada de trabalho não é necessária. Pior que isso: a redução da jornada de 44 horas semanais seria um “luxo” ou, mesmo, um absurdo sua discussão em um país com as carências do Brasil. Em verdade, a jornada de 40 horas é a que melhor se ajusta à realidade e necessidades de toda a classe trabalhadora, de toda a sociedade brasileira e mesmo de nossa economia.
Na Assembléia Nacional Constituinte, em 1988, houve um considerável avanço, fruto do esforço dos sindicatos e associações de classe e da conscientização dos Constituintes, de que era preciso e viável que a velha e pesada carga semanal de 48 horas fosse reduzida para 44 horas semanais. Assim foi feito. Qual o problema acarretado por aquela conquista social? Nenhum. Mais postos de trabalho foram criados, o Brasil continuou seu caminho rumo ao desenvolvimento pleno, sequer uma única empresa quebrou por conta da redução da jornada e os trabalhadores tiveram mais tempo para suas famílias, para seus estudos, para o lazer.
Em mais de duas décadas o Brasil é outro país, bastante diverso e mais desenvolvido, com indicadores sociais e econômicos invejáveis e várias vezes superiores aos daquele já distante ano de 1988, e urge reformular conceitos, revisitar questões fundamentais e debatê-las com absoluta transparência em benefício de toda a sociedade civil. Com uma jornada menor, seguramente, criam-se mais empregos num país em franco desenvolvimento e que venceu o desemprego, tormento dos trabalhadores e de suas famílias até o início do governo Lula, em 2003, quando o Brasil adentrou o ciclo virtuoso em que vivem sua economia e sua sociedade depois de experimentarem o desastroso período de um “liberalismo” que não contemplava de forma alguma os trabalhadores.
Vivemos em um país onde o empresariado teve a competência de investir massivamente na tecnologia de ponta, dando-nos invejável competitividade no mercado internacional e aumentando nossa já alta qualidade na produção. Hoje se produz mais em menos horas. As máquinas, longe de tomarem o lugar do homem, tornaram possível uma jornada menor e mais produtiva de trabalho. E nossos empresários – arrojados e modernos em sua imensa maioria – constatando tal realidade, já se conscientizaram faz tempo de que a jornada imposta aos nossos trabalhadores está entre as maiores do mundo e que reduzi-la é imperativo para a manutenção do equilíbrio nas relações entre o capital e o trabalho.
Algumas das maiores empresas do Brasil, em todos os setores, apresentam elevado nível de produtividade com menos empregados. A indústria automobilística é um exemplo clássico da alta tecnologia que tomou conta de sua linha de montagem, permitindo mais produção com menos trabalhadores. Nos serviços bancários, área onde o Brasil está elencado entre os primeiros e melhores do mundo, deu-se o mesmo, com um volume crescente de demanda respondida por menos trabalhadores do que antes. Uma das melhores empresas do país, orgulho do Brasil nos céus do mundo, a Embraer, é outro exemplo cristalino de uma produção intensa e crescente com o emprego cada dia maior de tecnologia e decrescente mão-de-obra humana.
Na agricultura, sucede o mesmo: pelos campos nos deparamos com mastodontes tecnológicos que fazem de nossa agricultura uma das maiores e melhores do mundo. Máquinas de última geração substituem o homem e multiplicam por centenas de vezes a capacidade de plantio ou de colheita nas plantações de soja, arroz, café, milho e algodão. Recordo-me do arado puxado pelo boi, nos idos do final da década de 60, quando, ao lado de meus irmãos, ajudava meu pai em sua propriedade rural de Buriti Alegre, no interior de Goiás, e vejo a impressionante transformação de nossa agricultura, de nossa economia, enfim, de nosso país. Toda a produção de arroz era colhida manualmente. Cortava-se o arroz com o cutelo, depois ele era batido em feixes na “banca”… Alguns anos depois apareceu a “batedeira”, antes da colheitadeira, que já fazendo o trabalho de mais de 30 homens! Hoje, pelos campos desse país-continente, autêntico celeiro do mundo, a maioria esmagadora das colheitadeiras dispõe de GPS, altíssima tecnologia em todos os seus itens funcionais, além de cabines com ar condicionado. Do arado de boi à localização por satélite nossa agricultura deu um salto fabuloso e não há razão, aí também, para que a jornada de trabalho não seja reduzida.
A economia cresce e absorve a mão-de-obra em variados setores, fazendo do desemprego uma imagem triste de passado que nos envergonha. A média anual de geração de empregos do governo FHC foi de 99 mil postos de trabalho. No governo Lula a média anual é de 1 milhão 246 mil. A média mensal de geração de empregos do governo FHC foi de 8 mil postos de trabalho. No governo Lula a média mensal é de 104 mil. Tínhamos um salário mínimo de pouco mais de US$ 70 em 2002. Hoje, na Era Lula, o salário é de mais de US$ 250, não há desemprego, sobram vagas, nenhuma empresa quebrou e nossa economia dá mostras de vitalidade e competitividade invejáveis. Qual, então, o motivo para não termos mais essa conquista, a das 40 horas semanais de jornada de trabalho?
O Brasil tem vencido etapas importantíssimas na atualidade. O governo do presidente Lula, de forma competente e sem traumas, realizou a proeza de correr atrás do tempo perdido na década infame que antecedeu sua investidura na presidência da República. Antes, num governo onde o desemprego imperou e a economia se eclipsou em várias oportunidades, discutia-se até mesmo a abolição dos direitos trabalhistas, o fim da Carteira de Trabalho, a volta da classe trabalhadora aos primórdios da República Velha, sem direitos e sem o respeito dos patrões. Hoje, numa economia ascendente, num Brasil ganhador e respeitado, com o desemprego debelado e o trabalhador tendo reconhecidos todos os seus direitos fundamentais, passamos à discussão de uma necessidade, a da redução de sua ainda muito pesada jornada de trabalho.
Mais qualidade de vida para os trabalhadores que fazem do Brasil um dos países escolhidos para liderar o mundo no século XXI, mais tempo para os estudos, mais tempo para o lazer, mais tempo para o convívio com suas famílias. Essa gente fabulosa que carrega nas costas o país que amamos, esses trabalhadores extraordinários que fazem de nossa economia uma das mais fortes do mundo, esses brasileiros que dão o melhor de si pela grandeza de sua pátria, merecem mais tempo para viver melhor.
(*) Delúbio Soares é professor







Vc esta no caminho certo com suas informações sobre o tema… Estarei participando da atividade da CUT que acontecera na Central do Brasil aqui no Rio…
Obs foi um grande prazer voltar ha reencontra-lo com saude e muita disposição..
Estamos juntos.
UM grande abraço.
José Luiz Gonçalves – Sjcampos
querido companheiro Delubio.
parabéns pelas suas materia.continui,
saiba que te admiro muito,e tenho vc como um homem digno!
tenha uma otima semana
Angela maria
Delubio.
Continuamos atentos as suas opinioes.
Temos um setor bastante resistente as 40 h que – os empresarios do comercio varejista. Principalmente os pequenos e medios. Faz pouco tempo o PT com competencia penetrou no fechado mundo dos produtores rurais ao construir uma discurso-pratica onde separou os grandes dos pequenos e medios e assim ganhamos terreno neste latifundio. Talvez seja a hora de articular a fala para os pq e medios do Comercio.
Um forte abraco.
Potiguara
Olá Delubio!
ainda bafora aquele caximbo,estou precisando falar com vc ou carlos soares.
Olá, boa noite, caro companheiro,
Nós aqui de Almeirim, Pará, estamos empenhados neste grande desafio, estamos na luta, enfrentando cada obstáculos, certo de nossa vitória, Dilma Presidente.
abraços
Bom Dilma Companheiro Delúbio !!! Muito Bom o Artigo das 40 horas semanais lembrando que redução da jornada de trabalho sem redução de salário também é um instrumento para a distribuição de renda nesse país.
Eu sou Raimunda Soares da Costa Presidenta do Sindicato dos Empregados no Comércio de Mossoró e Médio Oeste RN , Lembra que eu estava na reunião da cut sobre a compra da sede e almoçamos juntos, na última sexta-feira 14 de maio eu estive em Brasilia participando da reunião dos(as) secretarios(as) sindical do pt e na oportunidade eu falei com a companheira Mônica dei para ela um cartão em homenagem a mulher pelo dia internacional que a nossa entidade produziu e se tudo der certo estarei no encontro de mulheres do pt nos dia 11 e 12 de junho em Brasilia quem sabe a gente se encontra lá .
Saudações Petista.
Boa tarde companheiro Delubio,
li atentamente sua matéria e defendo as 40hs,pois, só assim o trabalhador
vai poder ter tempo para cuidar da sua vida e da sua família, vai ter um lazer, que hoje é previlégio só dos mais ricos, e ao mesmo tempo poderão estudar e se qualificar, porque nosso mercado de trabalho esta cada vez mais competitivo.Como fala na sua matéria até no campo a tecnologia esta cada vez mais avançada e esta sobrando mão de obra, a redução da jornada será a melhor solução até mesmo para conter um pouco a vinda do homem do campo para a cidade, mais além disso temos que pensar em polícas públicas para ajudar o pequeno agricultor e manter ele e sua família no campo, temos que encentivar a agricultura familiar por que na verdade são os que sustentam um boa parcela da população desse país.
como disseste está sobrando mão de obra, mais faltou uma coisa muito importante está faltando qualificação para essa mão de obra excedente.
Um abraço
Fabiane Fumagalli
Sapucaia do Sul
18/05/10