Pesquisa aponta que 50% da Grande Goiânia está na classe C

 

Instituto Ipsos Marplan mostra que, com o avanço da renda familiar e a ampliação do crédito, 520 mil pessoas passaram a integrar a classe C na região da Grande Goiânia

Família Goiana - classe C

A nova classe C de Goiânia

Depois de abastecer o armário da cozinha e a geladeira com o frango, frutas, iogurtes, chocolates, refrigerantes e comidas semiprontas, os consumidores da classe C, o novo rotor da economia brasileira, estão voltando suas compras para bens denotadores de prestígio, como eletroeletrônicos de última geração e até veículos. Eles estão preocupados também em dispor de mais tecnologia no seu dia-a-dia para garantir qualidade de vida.

A classe C teve ganho de renda de mais de 9%, nos últimos cinco anos, contra apenas 2% nas classes mais alta (A e B). Com isso, esses consumidores já movimentam 46% da renda nacional, ante 44% das classes A e B. Na Grande Goiânia, são mais 520 mil pessoas que passaram a integrar a nova classe social, totalizando agora quase 875 mil pessoas, o que já representa 50% da população consumidora.

A constatação é da pesquisa do Instituto Ipsos Marplan-EGM, realizado a pedido da Organização Jaime Câmara, com pessoas de ambos os sexos acima de dez anos. Foram realizadas 1.802 entrevistas, no período de 22 de outubro a 22 de dezembro de 2009, entre a população projetada de 1.748.000 pessoas. (veja quadro)

Com o avanço da renda e da ampliação do crédito, os consumidores da nova classe social goiana almejam bens e serviços que antes não tinham acesso, inclusive de itens usados tradicionalmente para qualificar a classe social de uma família.

Na posse de bens duráveis, como televisores de última tecnologia, acima de 27 polegadas, geladeira duplex, fogão com acionamento automático, os consumidores da classe C da Grande Goiânia já estão colados naqueles situados no topo da pirâmide social, as classes A e B. Já os bens como rádio e aparelho de DVD estão presentes de forma semelhante nos dois estratos sociais, sem falar do telefone celular.

O padrão de vida da família do porteiro Hélio Francisco de Araújo, casado com Rosa Maria Gomes de Araújo, com quem tem quatro filhos, melhorou muito nos últimos anos, acompanhando o avanço da economia brasileira. Com a entrada no mercado de trabalho da esposa Rosa e dos filhos maiores, Débora e Lucas, a família Araújo foi mais uma que ascendeu no estrato social e passou a integrar a nova classe média brasileira, a C.

Nos últimos 18 meses, a família Araújo comprou uma geladeira duplex de última geração, jogos novos de sofá e de mesa de cozinha, micro-ondas, máquina de lavar roupa, armários para a cozinha, aparelhos celular, tudo novinho, e ainda está ampliando e reformando a casa própria.

“Tudo isso era um sonho para nós. Agora é realidade, graças às facilidades de crédito e à nossa melhoria de renda”, afirmaram Hélio e Rosa Araújo. Eles contam que todas as compras extras da casa são feitas no crediário. “Mal acabamos de pagar um financiamento e já fazemos outro. Essa é a única maneira de termos as coisas boas em casa, já que o dinheiro do meu salário é para a compra de alimentos, remédios e gastos com água, luz e impostos”, relata Hélio Araújo. Mas, Rosa avisa: “só vou até a onde a mão alcança. Não deixo nenhuma prestação atrasar.”

Qualidade
O pesquisador do Instituto Ipsos Marplan, Diego Oliveira, observa que a tendência entre a nova classe média é a busca pela qualidade de vida, o consumo de produtos de maior qualidade e o investimento em lazer. A diretora de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria, Heloisa Menezes, confirma que o consumidor da classe C não quer mais geladeira ou TV, produtos que já tem em casa. Quer educação de qualidade, lazer e bens mais qualificados”.

Os professores da rede pública de ensino Ruberval Gonçalves de Morais e Rosana Chiochetti, casados há seis anos e pais de dois filhos de 2 e 3 anos de idade, investiram na melhoria da qualidade de vida. Equiparam a casa com eletroeletrônicos e eletrodomésticos, como máquinas de lavar roupa e louça, micro-ondas, notebook, geladeira duplex, TV de LCD de 29 polegadas e armários de cozinha. Além disso, compraram um carro usado para facilitar o transporte. “Estamos sempre buscando o mais novo e o melhor do mercado para otimizar nossas tarefas domésticas e garantir mais tempo para o lazer”, explica Ruberval.

Ele conta que as crianças já estão matriculadas numa escola da rede pública de tempo integral e antes de ir às compras sempre faz pesquisa de preço pela internet. “Ao tomar essas duas atitudes garanto uma economia de mais de R$ 1 mil por mês nas despesas domésticas. Com esse dinheiro poupado já estamos programando a compra de um apartamento de três dormitórios”, revela .

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