Goyazella

Goyazella

*Nádia Aparecida Pires

No colar, miçangas e dente de macaco.

O corpo pintado de jenipapo.

Adornos de pena de garça, arara, tuiuiú.

Na cabeça, a cesta com flocos de mandioca.

Na flecha, a caça e a pesca exibida

como troféu pelos homens da tribo.

Nas cerâmicas, desenhos expressam arte,

cultura, crença, vida, história.

Para brincar: jabuti, raposas, periquitos e macacos.

Nos rituais, as danças que resolvem” tudo quanto há”.

Para fazer melodia, o sopro rústico do Uruá;

A nudez dançada em círculo faz a oca balançar.

Ìndias,  em noite de lua cheia fazem festa na aldeia.

Ìndias goyases, vítimas de tantas mazelas, do álcool, do fogo e batelas.

Goyazella – a índia, tanto a menina moça como a velha, hoje veem a canoa

a subir e ou descer o rio, tornando cada vez mais

distante as lendas, das quais precisam sobreviver.

*Nádia Aparecida Pires, escritora e professora.