*Nádia Pires
A defesa do meio ambiente tornou-se um desafio planetário embora muitos ainda estejam ignorando o fato.
Com relação as dragas, esta exploração inconsciente do rio Araguaia, as ONGs ,a sociedade civil, os ambientalistas ficam estupefatos a questionar:
- De quem são estes olhos tão grandes?
Certamente não são da coruja, nem do candiru, nem do sapo.
- E estas unhas tão longas e afiadas?
Certamente não são do lobo, nem do tamanduá, muito menos das tartarugas.
E essa gargantona focada nas dragas do Rio Araguaia.
Certamente não são do Boto, nem da Ema, mas sim, de alguma enorme fera: a fera humana – o degradador, disfarçado de vovozinha boazinha que dá comida aos ribeirinhos em troca do serviço informal, sem conduta apropriada para o exercício da atividade, sem conscientização.
Sabe-se que a mobilização contra as dragas que comprometem o maior manancial de água doce do centro-oeste deve ser permanente.
Quem e ama o RIO ARAGUAIA, agradece a Mãe Natureza pela sua existência e sabe que muitas medidas educativas precisam ser elaboradas e difundidas para a preservação desse patrimônio natural, o maior manancial de água doce do Centro-Oeste.
Pode-se dizer que é um despropósito propor hidrovias, hidrelétricas, dragas, em defesa de desenvolvimento econômico pouco esclarecido de interesses que estão na contramão dos Programas do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) que objetiva conservação e o uso sustentável da água. A legalidade, a contundência, o ideário de preservação do Rio Araguaia há de prevalecer sobre a permissividade, pois a água é um recurso finito e sua defesa e proteção deve ser gerenciada com clareza, visibilidade, seriedade, ética, compromisso, assim como as matrizes elétricas e as emissões de gases.
Esta é a evolução imposta pelo século XXI, correr contra o tempo e ajustar os erros evitando cometê-los novamente.
Acrescentando, contra as Dragas, presta-se aqui uma homenagem ao Sr. Antônio Firmino de Lima (in memórian), um líder ambientalista de Aruanã-GO, sensível e coerente.
Um exemplo de Vida
Como diz o velho e sábio dito popular;
“Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido” e o “Sô Donca” tinha essa convicção.
Ao trabalhar a terra com as mãos, sentia forte no peito, que a mãe natureza há muito, já se fazia carente de atenção.
Com sua fala manso, mas de opinião, convincente fez seu feito criando a caminhada Ecológica pelo Meio Ambiente.
O pioneiro valente declarou seu afeto temente ao presenciar a precoce morte de animais inocentes por atos delinquentes e queimadas inconsequentes. Ouviu o lamento do rio mercurizado e a saudade de Arumá – o índio carajá pela volumosa corrente do rio Caiapó, Araguaia hoje.
Os grãos plantados por ele, com determinação hão de avançar e crescer atraindo adeptos caminheiros das estradas, corredeiras, do chão, caminheiros do ar, pinguelas e trilhas onde se anda, corre, trota-se com disposição. Caminhoneiros, carreiros, motoqueiros, carroceiros, ciclistas, canoeiros, trilheiros hão de acenar convictos como parceiros do Rio Araguaia, contra sua degradação. Crianças, adolescentes, adultos, idosos ,do campo, roça, cidade, metrópole acenam expressando boas vindas à Caminhada .
A estrela, a jornada, a caminhada, o passo, segue seu rumo nesta luta pelo rio, pela paz, tentando impedir mazelas, resguardando vidas.
As lágrimas brotam coletivas, com emoção e razão, a favor deste ato histórico, desta atitude, desta lida, constituído por um cidadão educado, elegante, um exemplo de vida consciente: Sr. Antônio Firmino de Lima.
No mês das águas e das mulheres, um brinde à vida, com água e com o toque da mulher consciente, dedicada ao conhecimento, como a mãe do “Sô Dança” que o orientou com sabedoria.
Nádia Pires é professora, escritora, mestranda em Desenvolvimento e Planejamento Territorial – UCG.




