Um tanto difícil tornou-se assimilar o sentido da palavra perfil quando envolve o serviço público.
Consultando o Dicionário Aurélio, como significado de perfil encontra-se, delineamento do rosto visto de lado; aspecto; representação de um objeto visto só de um lado; pequeno escrito em que se faz a traços rápidos o retrato de uma pessoa.
É comum, a utilização deste termo no serviço público por parte das chefias principalmente quando há mudança de gestões.
Isso nos faz recordar as palavras de Arnaldo Jabor em seu texto, A burrice na velocidade da luz, quando ele diz que: “A democracia com sua complexidade traz a forma de autoritarismo”.
Pressupõe-se que o termo burrice seja proveniente de burro, um bichinho quase indefeso, talvez o mais conveniente aqui neste contexto seria a utilização da palavra imbecilidade para simbolizar os equívocos do comportamento humano.
No arranjar de novas atividades e novos grupos um (a) chefe olha para alguém interessado e diz com o nariz empinado: Você não tem o perfil!
Esta pessoa retorna a seu posto ou ao banheiro, inclinado a sentar-se no vaso sanitário para refletir sobre o que vem a ser isto!
Será que há necessidade de fazer uma plástica no nariz, queixo, ou quem sabe, alongar ou encurtar o cabelo, diminuir a barriga e aumentar o bumbum, rebaixar ou subir o salto do sapato?
Será que é preciso uma foto 3×4 ou uma de Studio afixada num porta retrato?
Todos dizem que essa pessoa interessada em adequar-se a um novo projeto ou função é inteligente e capacitada, mas ao deparar-se com essa postura do (a) chefe tudo se tornou questionável.
Ao perceber que o que lhe resta é resguardar-se, pois, senão tudo poderá vir a ser mais estúpido do que parece, esta pessoa chega a uma conclusão: “Penso logo existo” e se raciocino, subsisto por um tempo e posso sobreviver talvez em outro.
Está é a lógica, na verdade, para alguns amantes do mandonismo a esperança ainda está presa no baú de Pandora, por isso, os pensamentos são livres, nem sempre leves, mas todavia soltos, sem importância concreta, assim esta é uma forma de saciar a fome destes que se comportam como gigantes primitivos ou Ogros, insaciavelmente.
Imaginem se eles querem ser perturbados por uma inteligência criativa, exercitada a rondar a imbecibilidade caótica e esse fardo rançoso vinculado a sentimentos fascistas.
Ainda pode-se encontrar uma razão para este fato, afinal, o (a) chefe tem que manter-se imponente mesmo tendo apenas um olho no meio da testa, embora este seja grande.
Ao bem da verdade, se a este fato couber uma pesquisa, que fique sob a competência da ciência e tecnologia e para relaxar pode-se optar entre assistir ao filme “Crepúsculo” ou ler a psicanálise de “João e o pé de Feijão”, com óculos escuros para minimizar a intensidade da dor se ela tornar-se psicossomática, e ou reincidente, persistente.
Um dia desses ouvi um chefe falando agitado e ofegante: “Sabe o que mais? Pode ser efeito colateral.
O outro respondeu com um sorriso amarelo: Cara, é muita informação, talvez a saída seja mesmo, descentralizar.
Nádia Pires é professora e escritora.




