* Nádia Pires
Observa-se que a intersetorialidade é geradora de uma nova estratégia voltada para uma estrutura social mais adaptável, proporcionando um novo conceito de planejamento urbano que redimensiona a noção de percepção de tempo e espaço, estado, nação, território, proporcionando uma atenção aos princípios de solidariedade, respeito à diversidade cultural, étnica, lingüística, religiosa, de orientação sexual, de classe social, da autonomia.
A intersetorialidade normalmente é dinamizada em gestões que focam a descentralização garantindo e facilitando a ação intergovernamental e intersetorial com vistas a agilizar o atendimento à comunidade oportunizando melhoria na qualidade de vida.
Junqueira (1998), conceitua a intersetorialidade assim: “a intersetorialidade é uma lógica para a gestão da cidade, buscando superar a fragmentação das políticas e considerar o cidadão na sua totalidade, nas suas necessidades individuais e coletivas”.
Nos tempos modernos, essencialmente nos países de terceiro mundo aos quais o Brasil se insere, Milton Santos em seu livro A Urbanização Brasileira (1993), explica uma nova realidade dissertando sobre a evolução do território e adjetivando a urbanização do país como corporativa, incidindo na desigual distribuição do meio técnico científico informacional que dá sustentação a uma sociedade dualista e de um espaço seletivo.
Esta reflexão instigante nos traz o sentimento da fragilidade social, advinda da fragmentação territorial sob os efeitos da globalização, o que reflete na Educação, Esporte , Cultura Saúde e Planejamento nas cidades.
Este sentido de singularidade talvez seja um dos motivos que despertem, para urgência da Intersetorialidade que também impulsiona o movimento da sociedade em Rede, defendido por Castells (1994).
Acrescentando, reporta-se aqui ao pensamento de Gramsci (1968) que enfatiza:
[...] O ser humano necessita de educação para ser livre, essa libertação (intelectual, moral e social) [...] se efetiva a partir do acesso aos conhecimentos historicamente produzidos e acumulados e da formação do indivíduo como sujeito do seu próprio destino histórico [...]
Dentre os aspectos conceituais, a Intersetorialidade é encarada como uma nova forma de trabalhar, governar e de construir políticas através da articulação entre sujeitos de setores sociais diferentes, de saberes, poderes e desejos variados, para enfrentar a complexidade dos problemas, desencadeados inclusive por insatisfações advindas do campo filosófico e no campo da prática, onde o sujeito busca ser solidário e assegurar sua participação de maneira mais efetiva.
Baseia-se aí a estratégia por parte das Prefeituras Municipais na articulação entre intersetorialidade e descentralização, considerando-se esta como um instrumento de democratização que dinamiza e possibilita reflexão, ação, reorganização da política, processo de tomada de decisões com envolvimento do cidadão e o desenvolvimento dos trabalhos, ou seja, dos serviços.
Tudo isso, possibilita reparos, reelaboração de projetos que podem ser favorecidos com recursos do Governo Federal oportunizando maior inclusão das cidades.
Delúbio Soares abraça mais esta causa, por perceber a necessidade de compartilhar e dialogar na jornada, bem como, a urgência em romper obstáculos e vencer os desafios em tempo hábil.
Com isso, vem prestando uma orientação significativa às prefeituras de Goiás e outros estados, no sentido destas tornarem-se esclarecidas e capacitadas em garantir via planejamento soluções viáveis para atender as demandas básicas de uma cidade revestidas pelos anseios dos cidadãos. Assim, qualquer cidade e seu tecido social humano podem valer- se da inclusão de forma eficaz .
Nádia Pires é professora e escritora



