Artigo publicado no Diário da Manhã - GO – em 14 de janeiro de 2010
(*) Delúbio Soares
Por obra do imenso talento de sua gente, da competência de seus empresários e de uma reconhecida vocação progressista, Goiás é um dos Estados brasileiros que mais diversificou sua economia nas duas últimas décadas. De uma economia basicamente agropecuária, Goiás partiu para a industrialização em seus mais diversos setores, avançando de forma rápida sobre o mercado de vários outros Estados, gerando divisas e acumulando capital com investimentos. Isso proporcionou aos mais variados ramos a possibilidade de explorar o potencial goiano como fonte de produção e expansão dos negócios. Quero enfatizar um setor que, até o final da década de 90, poucos acreditavam que seria – como hoje – um dos mais promissores do Estado: o da tecnologia da informação.
Vivemos uma autêntica epopéia econômica: do boi/grãos ao computador em poucos anos. Conseguimos continuar tocando nossa vocação agropecuária sem desprezar as possibilidades de diversificação na indústria, no comércio ou nos serviços. Agregamos valor, geramos riqueza, construímos novas plataformas de negócios e desenvolvemos tecnologias. Goiás tem dado mostras ao Brasil e ao mundo do valor e da capacidade de trabalho, da criatividade e da pujança tão típicas dos goianos. Goiás, especialmente nos anos do governo do presidente Lula, tem progredido de forma impressionante.
Como todo processo desenvolvimentista, a mudança dos paradigmas da economia goiana foi possibilitada por alguns fatores. A lei Estação Digital, o financiamento pelas instituições financeiras com a abertura de linhas de crédito específicas e o apoio das entidades de pesquisas foram alguns deles e tornaram Goiás uma referência da indústria de software no país. O próprio Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo Lula, que elevou de forma impressionante a taxa de investimentos do país, contribuiu de forma evidente para que esse mercado tomasse o impulso que tomou, e mostrasse sua força para o país e o mundo. Empresas de desenvolvimento, pesquisa e tecnologia se tornaram mais competitivas, despertando nas faculdades e universidades do Estado a necessidade de implantação de cursos de Ciência da Computação, que foi, por sinal, o que mais cresceu no ensino superior do país.
Diferente do que aconteceu (e acontece) com inúmeras outras profissões, em que as faculdades despejaram no mercado milhares de pessoas formadas com o mínimo de vagas, o setor de tecnologia da informação absorveu a mão-de-obra em Goiás – jovens talentosos e dispostos a criar, inventar, promover, ultrapassar o limite do possível – que transformou a realidade do setor no Estado, e proporcionou a abertura de novos mercados expandindo as vendas.
Só para se ter uma idéia, o Pólo Tecnológico de Goiás compreende hoje mais de 2,5 mil empresas, gera 20 mil empregos diretos e fatura, anualmente, R$ 2 bilhões. De tudo isso, a indústria de software corresponde a aproximadamente 50%. O custo da produção de softwares no Brasil é um dos menores do mundo, o que facilita a exportação dos nossos produtos, com qualidade igual e até superior ao que é produzido em qualquer outra parte do mundo. Goiás, nesse quesito, também se destaca com algumas das maiores empresas de serviço em Tecnologia da Informação. Uma delas, por exemplo, tem nada mais nada menos do que Banco Central como um dos clientes, a CIA e o Departamento de Estado dos EUA. A empresa se destacou na oferta de produtos para os setores da indústria e, principalmente, do agronegócio, alcançando cifras milionárias de faturamento. Depois dos atentados de 11 de setembro, os aeroportos dos Estados Unidos passaram a contar a identificação pela retina, equipamento fabricado por empresa goiana, que ganhou a licitação promovida pelo país mais rico e poderoso do planeta. Isso sem falar que as empresas de software de Goiás são responsáveis pela segurança de concursos e vestibulares em todo o país.
Mas nada disso seria possível sem o engajamento do governo federal, que impulsionou a iniciativa privada para alavancar o mercado goiano no Brasil e no mundo. A construção de um Arranjo Produtivo Local, o envolvimento das empresas, a busca de soluções para o setor – na oferta de certificação e capacitação de mão-de-obra -, foram algumas das ações realizadas para que esse fortalecimento se tornasse pujante como hoje podemos constatar. A participação mais efetiva no Fórum Empresarial, consolidação dos sindicatos e associações, participação de encontros do setor – com visitas freqüentes ao mercado de outros estados – fizeram com que Goiás desse mais um salto em busca da solidificação de seus produtos no país, garantindo a implantação efetiva do Pólo Tecnológico Goiano, hoje reconhecidamente um dos mais promissores entre os de todos os demais estados.
Esse importante setor, que é referência em Goiás, mas se tornou forte em todo o país, mexeu com a vida de toda a sociedade. Do estudante mais humilde nos rincões desse Brasil afora, que antes não tinha contato com o computador e agora descobre o mundo a partir de ferramentas como a internet, às empresas que se utilizam da tecnologia para a fabricação de medicamentos, por exemplo. Na educação, o governo soube com maestria aproveitar desse momento criado com base em uma economia sólida e pujante. Criou o projeto Um Computador por Aluno (UCA), que permitiu avanços no aprendizado com a pesquisa, revolucionando a educação, transformando os paradigmas educacionais, promovendo a inclusão digital – permitindo a utilização dessa ferramenta em casa, com acesso via escola .
O potencial de desenvolvimento da indústria de software em Goiás continua em franca expansão, com novos desafios que vão se delineando diante de inovações apresentadas pelo setor, com programas dinâmicos, bem elaborados e criativos. Hoje se encontra produtos goianos em praticamente toda a América Latina, Estados Unidos, Europa, China, e até nos chamados “Tigres Asiáticos”. Goiás não tem mais fronteiras na indústria tecnológica, que continua avançando com incrível dinamismo, levando o Estado ao ápice do que, hoje, a modernidade pode contemplar.
(*) Delúbio Soares é professor





Parabéns pelo artigo Delúbio, muito boa abordagem.
Se tens relacionamento com empresários daí, alerte-os que é o hora de criarmos a Regional da ASSESPRO DE GOIÁS, e eu estou a disposição pessoalmente para orientá-los, pois a representatividade nacional é fundamental para as empresas daí. Bastam 10 empresas interessadas em se reunir em associação.