O BRASIL QUE O MUNDO APLAUDE

 

embraer-linha-montagemLinha de montagem da Embraer em São José dos Campos/SP

Artigo publicado no Diário da Manhã – GO- em 10 de dezembro de 2009

* Delúbio Soares

Não bastasse a natural evolução dos povos, as transformações sociais, políticas e econômicas dos países, o Brasil tem passado por um processo intenso de mudança de paradigmas. Sem que sequer notemos, mudamos demais. Temos sido agentes da história e de seu inexorável processo, mas não temos tido nem o tempo necessário nem a exata consciência da proporção imensa de tudo o que tem nos ocorrido, deixando o subdesenvolvimento para trás e entrando firmes para o seleto grupo dos países que estão vencendo a luta do desenvolvimento sustentável em tempos de um processo econômico globalizado.

Seria pretensão dizer que tudo o que de bom tem ocorrido ao Brasil é fruto dos últimos anos, sob a gestão vitoriosa do presidente Lula. Mas seria pura injustiça não reconhecer que seu governo é o responsável pela retomada do processo desenvolvimentista e, de quebra, angariou para o Brasil um prestígio internacional e uma credibilidade de há muito perdidas. Nunca fomos tão bem cotados perante as demais Nações! E isso é fruto de uma simbiose poderosa entre um governo sério e eficiente e uma sociedade que tem dado o melhor de si em benefício do desenvolvimento nacional.

Contou-me um amigo empresário que nos anos 90, num coquetel em Bruxelas, ouviu da mulher de um ministro uma confissão surpreendente: “Tenho muita vontade de conhecer o Brasil! Dizem que é um país lindo, mas eu não vou, pois tenho medo de cobra.” O caricato receio da senhora européia revelava não só uma grande desinformação como o preconceito do “mundo desenvolvido” existente contra um “jovem” país do novo continente. Hoje, pouco mais de uma década depois, o Rei e o primeiro-ministro da Bélgica voam em jatos fabricados pela Embraer, brasileiríssima e competentíssima. A Força Aérea Belga poderia ter ido até a vizinha França e comprar na Dassault ou na Airbus. Ou ultrapassar o Canal da Mancha e fazer a feira no parque aeronáutico da vetusta British Aerospace, na Inglaterra. Se preferisse cruzar o Atlântico Norte e chegar até Seattle, a poderosa Boeing Company poderia suprir suas necessidades. Mas foi em São José dos Campos, sem as cobras que aterrorizavam a madame e com tecnologia de ponta que nos orgulha, aviões de altíssima qualidade e de baixo consumo, projetados por engenheiros e técnicos brasileiros, construídos por operários brasileiros, que os súditos do Rei Alberto encontraram o avião adequado para transportar sua majestade pelos céus do mundo.

Empresas de tecnologia da informação brasileiras fornecem para o Pentágono, para o Departamento de Estado norte-americano, para a Secretaria de Defesa dos EUA. Algumas delas, inclusive, são empresas de Goiás. Todavia, a esmagadora maioria dos brasileiros ainda pensa no Japão ou nos Estados Unidos quando se fala em computador, em software, em informação online, em inovação tecnológica. Pois no chamado “primeiro mundo”, os consumidores ou as grandes corporações pensam em…  …Brazil!

Empresários brasileiros promovem mega-fusões de grandes empresas, envolvendo bilhões de reais, milhares de funcionários e de pontos de vendas, com competência e segurança que empresários europeus ou norte-americanos não demonstrariam melhor. Empresas abrem seus capitais nas Bolsas de Valores com imensa regularidade, movimentando o mercado e demonstrando a vitalidade e a confiança tanto na política econômica quanto na própria pujança da economia do país. Nem parece que nos anos 90 isso era absolutamente inviável.

Esse misto de preconceito e de desinformação não é privilégio de estrangeiros. Há brasileiros que não conhecem seu país e nem buscam por onde saber o que anda acontecendo por essas bandas. As más notícias – graças a Deus cada dia mais escassas – foram substituídas por confirmações diuturnas de que, sem que nos apercebêssemos muito, já ultrapassamos a linha tênue que separa o subdesenvolvimento da desenvolvimento, que divide os que sofrem com a pobreza dos que se armaram com educação, saúde, redistribuição de renda, justiça social e democracia para adentrarem o clube dos que viverão em um mundo melhor, mais justo e mais solidário.

Demos passos muito seguros nos últimos anos. A estabilidade econômica é um deles, fruto da decisão política do governo Lula em optar por um modelo administrativo responsável e austero, . A estabilidade política é o outro. Advém das profundas convicções democráticas do conjunto de forças que se uniram e levaram ao Palácio do Planalto um dos maiores presidentes da história do Brasil, o companheiro Lula.

Lá fora, nossa imagem é diferente daquela dos anos 90, quando fomos à bancarrota três vezes. Deixamos de freqüentar os espaços destinados às crises econômicas e aos problemas internacionais. Hoje estamos nas primeiras páginas e o mundo nos observa com surpresa e admiração. Vamos sediar a Copa do Mundo em 2014. As Olímpiadas, também de forma pioneira, terão o Brasil como sede. O Brasil passa a figurar no mapa por demonstrações de importância política, pujança econômica e vitalidade social. Já não é, tão somente, por obra da precisão dos cartográfos.

O mundo já sabia de nosso talento. Pelé, Airton Senna, Tom Jobim, Santos Dumont, César Lattes, Carlos Gomes, Heitor Villa-Lobos, Josué de Castro, Jorge Amado, Paulo Coelho, Cândido Portinari, Paulo Freire, Celso Furtado e dezenas de outros brasileiros já brilharam lá longe, nas artes, nas ciências, na economia, nos esportes. Virava e mexia e um brasileiro fazia a diferença, subia ao pódium de um grand-prix ou era ovacionado num estádio de futebol após um drible genial ou um gol impossível, impressionava auditórios nas melhores universidades ou vendia milhões de livros mundo afora. Agora, com o advento do governo Lula e com o imenso prestígio que ele trouxe ao Brasil, tem mais gente brilhando. É todo um povo. São os engenheiros e os projetistas da Embraer, ou os agricultores de Petrolina exportando suas frutas para o mundo. São os produtores do centro-oeste arrebatando os mercados internacionais com a qualidade e a competitividade de nossos grãos. São os técnicos da Embrapa, uma das mais extraordinárias instituições de pesquisa de todo o mundo. Agora, meus amigos leitores, é um país inteiro que subiu ao pódium e que está sendo aplaudido de pé.

(*) Delúbio Soares é professor

www.delubio.com.br

www.twitter.cm/comdelubio

companheirodelubio@gmail.com

http://www.dm.com.br/materias/show/t/o_brasil_que_o_mundo_aplaude

http://180graus.brasilportais.com.br/delubio-soares

http://www.jornalpaginaaberta.com.br/index.php?op=2&&tipo=1&&noticia=c2c424ca6cac3c9e5415a1df9aa46d06&&edicao=10

4 comentários

  1. ISAIAS KARRARA /

    DELUBIO,

    NESTE ARTIGO VOCÊ COMO SEMPRE FOI MUITO FELIZ NO TEMA.

    ALIÁS, É BOM QUE SE DIGA, QUE PARA SE DAR ESSA MUDANÇA VOCÊ COMO PARTICIPANTE ATIVO TEVE QUE SER MAIS DO UM, E SE TRANSFORMOU EM VÁRIOS PARA COBRIR AS DEFICIÊNCIAS DE OUTROS.

    PARABÉNS AO BRASIL, PARABÉNS PARA TODOS NÓS E PARABÉNS A VOCÊ QUE TEVE E TEM UMA PARCELA SIGNFICATIVA E MUITO IMPORTANTE NESTA MUDANÇA DE RUMO DA NOSSO HISTÓRIA BRASILEIRA.

    ISAIAS KARRARA

    PRESIDENTE DO SINDICATO DOS TRABALHADORES GRÁFICOS DO ABC.

  2. Luís Fernando Avelar /

    Valeu professor, parabéns pelo artigo!!!

    Abs,

    Luís Fernando Avelar

  3. juscelino barbosa sena /

    Companheiro Delúbio,

    Parabéns. Excelente matéria. Teria que ser escrita por vc Professor.

    Um grande abraço, Juscelino Sena.

  4. Professora Janair /

    Muito bom, muito bom, mesmo!

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