“O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
(…)
O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Surge a manhã de um novo ano.
(…)
Recebe com simplicidade
este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.”
(Carlos Drummond de Andrade)
Artigo publicado no Diário da Manhã – Go- em 31 de dezembro de 2009
(*) Delúbio Soares
Em poucas horas estaremos começando uma nova etapa em nossas vidas, com a chegada de um novo ano, de uma nova década.
A cada fim de ano temos o renovado milagre da esperança e a certeza de que nossas melhores expectativas irão se realizar, nossos ideais mais acalentados poderão se materializar, que as utopias generosas, as idéias mais audaciosas, os projetos mais revolucionários estarão ao alcance de nossas mãos, fazendo parte de nossas vidas, dando o ar de suas graças.
E tudo isso não é apenas muito bom. Antes de tudo, é necessário para que continuemos lutando e prosseguindo na caminhada, acreditando em nossos sonhos. O que seria da raça humana, do planeta, da vida, se os sonhos não dessem a exata medida de cada homem e de sua capacidade de superação?
Faz três décadas que um grupo de brasileiros sonhou um país melhor, mais fraterno, mais justo, mais humano. Vivíamos em plena ditadura militar e uns poucos sindicalistas, alguns intelectuais, operários, estudantes, mulheres, negros, resolveram fundar um partido e lutar pela realização do sonho impossível. Não foi fácil, mas em 2002 os brasileiros resolveram dar uma chance ao sonho e transformarem o seu país.
Fico pensando com meus botões, matutando feliz ao ver as profundas transformações que o governo que nasceu de um sonho impossível realizou no Brasil, com muitas saudades e um suave sentimento de dever cumprido, admirando a incrível máquina do tempo e da vida. O quanto lutamos em três décadas e o que se fez em sete anos de governo Lula.
Reflito a dimensão das mudanças e a importância histórica de um projeto de Nação que consolidou a democracia, que distribuiu renda, que diminuiu a pobreza e ascendeu socialmente dezenas de milhões de brasileiros, que encheu panelas, barrigas e vidas, que construiu casas, abriu universidades aos negros e aos pobres… Nem em nossos melhores sonhos poderíamos pensar que conseguiríamos chegar tão longe, fazer tanto, responder com competência o desafio de um país que ansiava ter uma chance.
Não importa se pelos caminhos da luta o sofrimento nos marcou. Se alguns pagaram tanto a tão poucos pela ousadia de ter vencido a luta. O que são as pessoas se olhadas individualmente? Nada. O que somos se olhados pela lente da história pela força de nossos sonhos e a tenacidade com que perseguimos sua concretização? Muito.
O que os brasileiros podem esperar de 2010? O que será de um ano marcado pelas paixões na luta política e nas lides eleitorais? Até onde o país sonhado corre o risco do retrocesso, do reencontro com o passado? São várias as indagações que se impõe e que merecem ser respondidas.
Posso garantir que o Brasil não dará um passo atrás. Não permitirá que se volte um único milímetro na rota certa do desenvolvimento com justiça social, da democracia com plena liberdade, da inserção social de milhões de brasileiros que adquiriram sua cidadania com o governo que construímos após a vitória de 2002. Tenho andado por esse país e pelo interior de meu Goiás. Até eu mesmo, que nunca duvidei da força do povo, me surpreendo com a garra de nossa gente e a consciência de que é preciso avançar cada dia mais, não voltar atrás, não ceder nas conquistas e não abdicar do sonho que se tornou realidade.
Não importa se alguns meios de comunicação insistem em retratar as coisas como elas não são. Não fará diferença a tentativa inglória de manipular a opinião de um país que mudou e de um povo que se tornou o agente principal de seu destino. Essa “gente miúda”, sem sobrenome importante, sem brasão e sem rosto conhecido, essa gente que parte da elite descomprometida ignora, é quem faz as revoluções e movimenta as indústrias, dinamiza o comércio e alavanca a agricultura. Esse “povinho”, que para os adversários do governo Lula não passa de um número nos gráficos do IBGE ou um dado a mais nas teses defendidas na USP ou na Unicamp, é quem faz a história, derrubou a Bastilha, rompeu os preconceitos, acabou com ditaduras e castigou ditadores, morre nas trincheiras das guerras em defesa da liberdade e vive trabalhando pela grandeza de seu país. Esses “Zés Ninguém” são os construtores do futuro e os nossos companheiros de luta. Permito-me contar um segredo que trago no peito: é deles que vem a nossa força.
Há muito a ser feito. Muito mais do que já fizemos. Há usinas hidrelétricas e estradas. Há portos e aeroportos. Há uma agricultura pujante que se supera a olhos vistos. Há uma geração de empreendedores que buscando o lucro não excluíram o social. Há milhares de jovens estudantes que deixam os bancos das universidades e se tornam profissionais de altíssimo nível. Mas existe algo maior, ainda: há um país que se reencontrou com seu espírito altaneiro, fraternal, audacioso, avançado, livre. Hoje o Brasil é essencialmente um país vencedor. Não somos mais figurantes: somos protagonistas da história!
Em 2010 vamos vencer os desafios como vencemos em 2009 a crise econômica internacional, como vencemos a incredulidade e passamos a ser um país respeitado e admirado em todo o mundo. Com a força que vem do trabalho realizado e a confiança do povo. Com a humildade que deve preceder a glória e o poder. Com a reta intenção de não trair jamais os compromissos que assumimos com o Brasil, com seu povo, com seu futuro.
(*) Delúbio Soares é professor
http://www.dm.com.br/materias/show/t/bemcvindo__2010





Caro companheiro Delubio,
Que o ano de 2010 seja de paiol cheio e o de bons encontros.
Abraços a familia.
ANTONIO F. DA ROCHA