Delúbio Companheiro

 

“Goiano do pé rachado,”

autêntico roedor de pequi,

enfrentou a lida quando criança,

sob o sol faiscante,conheceu o suor do lavrador.

Trabalhou, estudou, em matemática formou-se.

Engajado na luta sindical,

como militante, líder, articulador,

caminhou léguas, cruzou estradas,

sobrevoou territórios, mares,com caráter idealizador.

Sempre, como companheiro leal,

volta, abraça e enaltece a terra natal!

Em seu coração, calorosamente pulsa

o gosto pelo sonho, ignorando a ingratidão

gerada pelo infortúnio de ser apunhalado

por gestos e palavras advindas de uma situação

quando o discurso e a prática perdem a conexão.

Cumplicidade é para quem sabe amar;

Perdão é para quem sabe doar.

A humildade é para quem sabe ajoelhar-se

levantar-se em busca da esperança

e resgate da alma,do espírito construtivo.

Render-se é falar sobre si mesmo.

Consciência é para quem sabe que viver é lutar,

preservando a família, os amigos,os companheiros.

Autenticidade é para quem sabe retratar-se

encarando de frente a tortura, o tormento sem fuga.

Delúbio soube e sabe tudo isso!

Por isso, seu choro é puro,

Por isso, seu olhar é límpido.

Por isso, seu sorriso é cativante,

É o companheiro de sempre, da elegância

com simplicidade,do afeto, sem máscara,

por tudo isso, tem amigos sinceros

a lhe conceder o colo, o ombro, o carinho,

o aperto de mão, o abraço, a voz que

vem do coração, para compartilhar

os ais, a dor, a alegria, o ideal, o amor,

para celebrar a verdade, a vitória, a vida!

Mas e a vida? Como dizia o sensato

cantor e compositor Gonzaguinha:

- “A vida é o que é, diga lá meu irmão…

Eu sei, que a vida deveria ser bem

melhor e será, mas isto não impede

que eu repita, é bonita, é bonita, é bonita”!

Nádia Pires é professora,sindicalista,escritora

Deixe um comentário