(*) Delúbio Soares
Às vésperas do prazo fatal para filiação partidária visando concorrer às eleições de 2010 recebi convites de vários partidos políticos. Generosamente, ofereciam-me a possibilidade de disputar as eleições em 2010. Fiquei grato e encarei com respeito aquela oportunidade oferecida pelos que militam na vida pública de meu Estado.
Sou homem de afetos e de compromissos. A imprevisibilidade nunca foi o meu forte. Os amigos são os de toda a vida, com a conquista de novos a cada dia, mas nunca, jamais, em tempo algum, um ex-amigo. Os ideais são os mesmos em quase quarenta anos de luta – mais precisamente, trinta e oito – desde que iniciei minha militância como sindicalista e professor da rede de ensino público. As idéias evoluíram. Quando erro, corro atrás de consertá-lo, com força e humildade. Ai de mim, com todas as reviravoltas da vida, se não tivesse coerência, disciplina e lealdade: em casa, na vida, com os companheiros. São três valores que prezo e pelos quais pauto minha existência. E são valores intrínsecos, profundos, verdadeiros, que vem do chão da infância em Buriti Alegre e deitaram raízes em minha personalidade.
Qual o cidadão brasileiro, qual o filho de Goiás, que depois de tantos anos na vida pública, ensinando gerações nas salas de aula, militando em sindicatos, fundando a CUT, fundando o PT, lutando por ideais que lhe são caros à alma, não gostaria de representar o seu povo e levar suas idéias ao Congresso Nacional? Quem, como eu, que acredita na validade da via parlamentar para a discussão dos grandes temas nacionais, na busca de solução para os nossos (ainda) graves problemas estruturais, não vibraria com a possibilidade de disputar um mandato e, se eleito, ir brigar por Goiás, pelo Brasil e pelo que acha justo e certo lá no parlamento? Mas não quero ser parlamentar a qualquer custo
Dialoguei com companheiros de todo o interior e da capital, viajei milhares de quilômetros em Goiás e fui a mais de vinte Estados conversando com companheiros do PT e da base aliada, estive com amigos de longa data, mesmo com adversários políticos com os quais mantenho excelente convivência pessoal, reuni-me com dezenas de amigos de todo o Brasil, há cerca de uma semana em São Paulo, em longa e produtiva reunião, escutando o que me diziam, refletindo cada ponderação, pesando ponto por ponto, para ter absoluta certeza de que estava certo o que meu coração já ordenara que fizesse. É de minha índole ouvir com atenção e respeito a opinião dos outros. Faço o que achar correto, mas ouço o que me tem a dizer e, não raro, reconsidero o que pensava e busco uma solução melhor.
30 anos de PT. Esse é o meu DNA. Partido que ajudei a construir e a consolidar em todo o Brasil, tornando-se uma legenda de esquerda, popular e respeitada. Não me sentiria bem, nem seria verdadeiro se disputasse um mandato por outro partido, embora os respeite a todos. Estar ou não estar filiado é questão secundária. O fundamental é a similaridade de pensamento, a história comum, a sincera devoção a uma bandeira de luta empunhada décadas afora.
Em 19 de março, com possibilidades reais de voltar ao PT, solicitei-a. Alguns integrantes do Diretório Nacional acharam que, embora justa minha postulação, aquele ainda não era o momento para que ela fosse apreciada. Assim, em 8 de maio retirei meu pedido de re-filiação, embora parte significativa da base partidária a apoiasse e de manifestações públicas de grandes lideranças partidárias em favor dela. Naquela oportunidade, diante do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, relembrei que “dediquei minha juventude e renunciei a boa parte de minha vida pessoal, para servir ao partido, lutar suas lutas, sonhar os seus sonhos, sofrer as suas derrotas. E o fiz, exclusivamente, por decisão pessoal, íntima, irrevogável”.
Fica para a próxima. Posso servir minha terra e meu país como sempre o fiz. Continuarei militando na política por acreditar em sua nobreza e no confronto das idéias e dos projetos políticos como canal de transformação da sociedade brasileira. Continuarei lutando nos sindicatos e na CUT, continuarei nas salas de aulas ensinando gerações e gerações.
Agradeço a todos os líderes e a todos os partidos que me honraram com a generosidade de seus convites. Permanecerei integrado à luta pela continuidade do projeto de país vitorioso em 2002, que em sete anos do governo do presidente Lula tem melhorado a vida do povo brasileiro e diminuído consideravemente a injustiça social em nosso país, tem elevado a auto-estima de nossa gente e é respeitado e ouvido em todo o mundo. Esse é o caminho.
(*) Delúbio Soares é professor




Parabéns Delúbio,
Sou de São Paulo, membro do Setorial Nacional de ECOSOL do PT e da mensagem.
Mas, vi em sua atitude um importante sinal de lealdade com o PT, com sua trajetória e com todos aqueles que deram e dão a sua vida a construção de projetos coletivos, voltado a conquistas para a classe trabalhadora. Foi assim, no PT, na CUT e nos diversos movimentos sociais, que desde de o fim da década de 79 florescem em nosso país.
Novamente, Parabéns Delúbio. Que você consiga o mais rápido possível voltar para o PT com todos os seus direitos partidários garantidos. Aqui é sua casa, aqui é o seu lugar.
Grande abraço,
Caros companheiros dirigentes e amigos.
No artigo que traz o significativo título de “2010″ , o meu companheiro Delúbio revela que agradeceu, mas declinou dos convites para filiar-se a outros partidos políticos ainda em tempo hábil para uma eventual candidatura parlamentar nas próximas Eleições. Preferiu manter-se fiel ao PT e ao projeto político que ajudou a construir e foi vitorioso em 2002, e que hora está em curso levando a tantos milhares de brasileiros benefícios reais inéditos até então.
Quero dizer que meu coração comemora, mas a razão não. É certo que algum romantismo ainda contamina muitos dos petistas históricos, mas nesses tempos de império do pragmatismo, em todas as áreas do pensamento e da vida, surpreende que o mesmo romantismo seja fundador de uma decisão tão importante na vida de um militante político como o Delúbio, essa pessoa excepcional que encanta e honra tantos amigos.
Penso que tal decisão é fatal ao seu desejo de militância política pela via do Parlamento e ao usufruto de todas as vantagens que isso lhe traria de imediato, dentre elas uma melhor posição para o exercício da sua defesa jurídica.
Mas o companheiro Delúbio, tal qual viúva apaixonada, quis permanecer fiel ao PT, partido que segundo ele está inscrito no seu DNA.
Delúbio é fiel ao partido cujos dirigentes levaram ao limite do humano o pragmatismo político, numa mostra de que não estão a altura de tanta nobreza, coragem e valentia para a luta, que essa sim, sempre continua. E a dívida do PT para com Delúbio aumenta.
Que a direção partidária que está para emergir do PED tenha mais grandeza e saiba exercer seu labor dirigente sem abrir mão da solidariedade, do companheirismo e da defesa irrestrita dos seus mais desprendidos militantes.
Que o PT a emergir do PED esteja disposto a contribuir com a educação e crescimento político dos seus concidadãos, através de incansável e republicano magistério, ao invés de se curvar e até se juntar aos falsos moralistas midiáticos cujo objetivo mor é a manipulação da informação e das mentes para a manutenção eterna do seu sistema de dominação.
Só assim a luta do Delúbio e da militância petista pela sua refiliação haverá de ser vitoriosa e alguma justiça, ainda que tardia, se fará.
É isso.
dalva