De volta à vida pública, ex-tesoureiro do PT afirma que sua expulsão do partido foi injusta, pois nada ficou provado contra ele.
Um dos protagonistas do escândalo do Mensalão, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, esteve na semana passada, em Palmas, para o lançamento do livro “Companheiro Delúbio”, patrocinado por sindicalistas, militantes de vários partidos, enfim, os amigos de “primeira hora”. Com a consciência tranqüila, ele disse nesta entrevista “exclusiva” ao Jornal Página Aberta, que não existe uma prova sequer de um erro que teria cometido que pudesse macular sua idoneidade.
JPA – De quem foi a idéia de lançar a revista Companheiro Delúbio?
Delúbio – De um grupo de companheiros sindicalistas, militantes de vários partidos da base aliada e de amigos pessoais de Goiás, que se cotizaram e pagaram 10 mil exemplares, em preto e branco, papel simples, sem luxos, mas com um conteúdo muito bom, com centenas de manifestações e depoimentos sobre minha vida pública e minha história de três décadas nos movimentos sociais.
JPA – A sua expulsão do PT foi um equívoco?
Delúbio – O processo político, a acolhida que tenho tido por onde ando, sendo tratado com respeito e carinho, o afeto que me destinam os companheiros do PT de todo o Brasil e, especialmente, o correr dos processos judiciais, onde a cada dia se aclaram meus procedimentos durante toda a minha vida política, já se encarregaram de responder essa pergunta. Mas, é fundamental salientar que eu sou um homem sem mágoas, sem ódios e sem ressentimentos.
JPA – Vários segmentos do partido torcem por sua volta ao PT. A executiva nacional já se manifestou?
Delúbio – Não é um exagero se digo que a grande maioria, a esmagadora maioria do PT me apóia e está comigo. Isso me honra e me gratifica. Com relação à Executiva do PT, devo dizer que essa questão não foi levada a ela novamente.
JPA – Qual foi o momento mais difícil nesse processo que culminou com sua expulsão do PT?
Delúbio – Creio que o próprio momento em que ela se deu. Mas o quadro político e o quadro partidário mudaram radicalmente e esse momento está em um passado bastante remoto.
JPA – Qual a sua relação com o presidente Lula?
Delúbio – De respeito e admiração por um companheiro de 30 anos de luta. O governo popular, democrático e vitorioso que o presidente Lula vem fazendo não surpreende quem conhece sua capacidade, seu humanismo e sua competência. Marcará de forma positiva a história do povo brasileiro.
JPA – Você será candidato a deputado federal?
Delúbio – Minha vida pública está nas mãos de meus companheiros, de meus amigos, dos goianos. Nunca fugi à luta. Não há nada definido, mas se receber a missão de uma candidatura, vou adiante sem qualquer temor e com sentido de missão.
JPA – Sua eleição à Câmara dos Deputados faria, de certa forma, justiça pelas situações constrangedoras que passou?
Delúbio – Como sou um homem sem mágoas e sem ressentimentos, que não olha para trás, a não ser para aprender as lições da vida, não estou em busca de nenhuma reparação. Olho para o futuro mirando as possibilidades de trabalhar pelo meu Estado e pelos ideais que sempre acalentei como professor, como sindicalista e como cidadão.
JPA – Na época do escândalo do mensalão você teve apoio da família e dos amigos?
Delúbio - Não estaria aqui se não tivesse tido um apoio extraordinário, generoso e toda a confiança de milhares de pessoas que nem conheço, que se manifestaram em meu favor, que me mandaram mensagens, que compreenderam o momento e as circunstâncias, além de minha família, minha mulher, Monica Valente, meus pais, todos os familiares. Todos esses laços, com meus amigos, meus companheiros, minha família e as milhares de pessoas que ficaram ao meu lado, serviram para solidificar laços de fraternidade e de respeito que jamais se desmancharão.
JPA – Qual, ou quais, as lições que Delúbio tira de tudo o que aconteceu?
Delúbio - Uma delas é a principal: ninguém pode sonhar com um país mais justo, mais humano, mais livre e solidário, sem ter a plena consciência de que poderá pagar alto preço por conta disso. Há forças interessadas em perpetuar o atraso, a pobreza, o analfabetismo, a fome, o latifúndio improdutivo, o Brasil arcaico emiserável de um passado não muito distante.
JPA – Você faria tudo de novo?
Delúbio - Cumpri fielmente as missões que meu partido me delegou. Agi com honestidade e transparência. Administrei o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), por delegação das centrais sindicais, justamente durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, gerindo verbas que chegaram à estratosférica soma de US$ 10 bilhões, e o Tribunal de Contas da União, o TCU, aprovou sem reparos a minha gestão. Portanto, não fujo da luta e estou sempre à disposição dos brasileiros e dos nossos sonhos de um país melhor.
Frases de Delúbio
“Não desrespeitei as instâncias partidárias. Muito ao contrário, a elas me submeti”
Trouxeram-me problemas e eu procurei solucionar, da forma que se apresentou possível no momento. É esse o motivo que sustenta a tese da minha expulsão?”
“Participei de todo esse processo, mas não fui o único responsável e divido com todos os acertos e erros”
“Passaram bilhões de reais aos seus cuidados e ele permanece na pobreza exteriorizada” (Batista Custódio, editor do Diário da Manhã)
Nilo Alves
Entrevista Delubio Soares





