QUEM ATIRA A PRIMEIRA PEDRA?

 
Baseado num texto bíblico precisamente no livro do Evangelho Segundo São João, capítulo VIII e versículos VII em diante, quando narra momentos de Jesus na sua missão de militância progressista rumo à revolução integral da pessoa humana, conta-se que Ele [Jesus], na época, durante o seu ministério na terra, ao adentrar numa sinagoga, muitas pessoas – das quais os seus discípulos – o acompanhavam para ouvir os ensinamentos do revolucionário Mestre. Naquela ocasião, os repórteres [escribas] e os fariseus [oportunistas] trouxeram-lhe uma mulher apanhada no ato de adultério e, segundo a Lei mosaica, a mulher teria que ser apedrejada. Perguntaram, então, a Jesus: tu, pois, o que dizes? Isso os dizia, tentando-o, para que tivessem do que o condenar. Mas, Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo no chão. E como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes: “Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra esta mulher”.

Companheiras e companheiros do Partido dos Trabalhadores: eu conheci o companheiro Delúbio Soares de Castro no final dos anos 80, quando tive a honra de trabalhar ao seu lado na Escola de Formação da CUT (Instituto Cajamar no começo dos anos 90, época em que muitos trabalhadores freqüentavam sistematicamente o INCA e o taxavam de “a universidade do trabalhador”), sob a coordenação geral do meu grande e eterno inspirador político, o companheiro Gilberto Carvalho. Com muito orgulho acompanhei o Delúbio durante 11 anos quando eu era assessor e coordenador do Setor de Publicações da CUT Nacional e ele diretor tesoureiro. Aprendi muito com suas experiências pautadas na ética e na responsabilidade política.

Poder compartilhar da confiança do partido é um direito de qualquer filiado e do Delúbio também. Negá-lo sob o argumento da política real; de ser o momento inoportuno, como diz o companheiro Walter Pomar; de ser algo que servirá apenas aos interesses dos nossos detratores é tentar tergiversar sobre o mérito da causa. Delúbio foi acusado de envolvimento no escândalo do mensalão em 2005 com supostas operações ilícitas e agora pede reconsideração da decisão do partido que o expulsou sumariamente. Delúbio já cumpriu quase quatro anos de sua condição de expulso do partido.

Hoje, o momento agora é discutir se o seu retorno ao PT é possível ou não. A meu ver, sim! É possível. O companheiro Delúbio é detentor de todas as qualidades pessoais de um cidadão que pretende atuar através de um partido democrático, socialista e de massas. Aliás, permito-me fazer minhas, as palavras do companheiro deputado Carlos Abicalil: “A sociedade goiana julgará Delúbio Soares através das urnas no próximo ano”. Esse, sim, deve ser o verdadeiro veredicto.

*Cesário Silva – Filiado ao PT, ex-dirigente em Aracaju nos anos 80, ex-dirigente em Jundiaí/SP até fevereiro/2009, atualmente filiado em Aracaju e membro da Executiva Nacional do MEP – Movimento Evangélico Progressista.

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