Idas e vindas: um encontro com a história

 

Neste momento, muitos são àqueles que vêm se posicionando publicamente acerca do reingresso do companheiro Delúbio Soares as fileiras do Partido dos Trabalhadores. Eu, por dever moral, não poderia me abster sob hipótese alguma a este debate.

O ano de 2005 ainda esta fresco na memória coletiva da família petista. Quanto sofrimento, quanta dor e angustia com aquele momento, ainda tão controverso e latente em nosso meio. Houve, no ápice da crise, até aqueles que acreditavam ser o fim do nosso partido.  Mas a vida nos apresentou o espetáculo do contraditório, muito diferente daquilo que até então estava escrito nas páginas da imprensa brasileira. Ruímos moralmente naquele processo seja feita a verdade, porém nos reerguemos com a pujança de verdadeiros guerreiros, agora mais ciosos de nossas ações e fortes o necessário para construirmos um novo momento político interno de nosso partido. Prova disso fora a reeleição do companheiro Lula, a eleição da segunda maior bancada na Câmara Federal e a eleição de inúmeros governadores pelo país. O que parecia ser o fim, na verdade era o inicio de um novo ciclo político em nosso meio. Agora menos ruidoso e muito mais parcimonioso com o contraditóri o.

Entretanto, em meio aquele turbilhão, uma frase ficou gravada em minha memória para sempre: “a mão que um dia teve a coragem de assinar a minha ficha de filiação ao PT, não tem a capacidade em pedir a sua desfiliação”. Esta celebre frase que guardo em minhas memórias foi dita pelo meu amigo e companheiro Delúbio Soares, em meio a sessão do Diretório Nacional de nosso partido que votou pelo seu desligamento de seus quadros.

Naquele instante não fazíamos justiça, muito menos votávamos pelo acerto de contas entre os éticos e não éticos. Fazíamos ali a justiça da grande imprensa, a justiça de uma pseudo opinião publica que não tem rosto, não tem caráter e não tem endereço, a não ser o dos organismos da grande mídia brasileira.

Sejamos francos neste momento em que o companheiro Delúbio Soares pede o reingresso em nosso partido: não há um entre nós que não reconheça o seu papel na construção do nosso partido; não há um entre nós que possa atirar uma pedra sem que ela retorne com a mesma intensidade de um bumerangue.

Sejamos humildes e mais companheiros em nosso meio. A nossa força nasce da nossa união e não será o retorno do Delúbio ao PT que criará as condições para as elites brasileiras voltarem a governar o nosso país. A prova disso foi dada em 2006 de forma retumbante nos quatro cantos do Brasil.

Quanto aos motivos que fizeram com que o Diretório Nacional o desligasse de nosso partido, fica a cada dia mais óbvio e claro que não foram aqueles ali expostos – recursos não contabilizados. A dura verdade é que não tivemos a coragem de enfrentar a conjuntura construída pelas elites. Fomos reféns de uma agenda que nos impuseram. Entregávamos naquele momento mais um grande companheiro nosso, com o sonho de que pudéssemos estancar a fome dos leões famintos e ávidos pelo poder.

A partir do próximo dia 8 de maio, teremos a grande oportunidade de fazer o acerto de contas com a história de nosso partido. O reingresso do companheiro Delúbio Soares ao PT é a mais profunda prova de que soubemos compreender e aprender com aquele momento político. O seu reingresso tem um caráter educativo e pedagógico, pois reafirma que podemos errar,assim como já erramos ao longo de nossa historia, porem nãos nos dá o direito a persistir e reiterar em nossos equívocos de outrora.

Aceitar neste momento as imposições das elites não constrói o mundo socialista que tanto sonhamos.

             Que o companheiro Delúbio Soares seja bem vindo ao PT, lugar de onde nunca deveria ter saído um dia! 

Rodrigo Abel

Foi Secretario Nacional de Juventude e

membro da Executiva Nacional do PT 2001-2003

3 comentários

  1. Fê Maddu /

    Rodrigo, eu votei em Lula nas duas eleições, contudo na segunda foi mais pra não colocar o chuchu reacionário lá e menos por Lula. Acontece que não vejo mais o PT como via, por exemplo, em 1989. Apesar de na época eu ser um criança, meus pais militavam, a gente ia nas festas do PT, comícios, bandeiradas. Tudo isso acabou, os militantes não são mais os mesmos. Trabalham horas e você vê que é um pobre coitado suando horas no sol, com cara de cansado e que às vezes nem vai votar no partido. Não tem mais amor, o idealismo acabou. É uma pena.
    Agora vocês em vez de reformularem tudo, querem salvar o “cumpanheiro”. Companheiro são os milhares de petistas que não trabalham na máquina partidária e que deram tudo pelo partido e no final das contas nada.
    É triste. O PT era antes de tudo vontade de mudar, agora é só mais um partido, infelizmente.
    Minha mãe até foi presidente do PT Pinheiros, era lindo como éramos, uma família e tanto. Agora todos se foram pra Brasília e formaram uma nova elite, pegando os piores quadros ou não deixando os melhores – como Marina – trabalharem direito. Dá vontade de chorar.
    Ainda assim voto na Dilma, mas vai ser um voto mecânico.

  2. Gabriel /

    Volta, Delúbio, seu lugar é mesmo no PT!

  3. luciolopes /

    Volta Delúbio, o PT precisa de vc!!!

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